A Prefeitura de Orleans, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, em parceria com diferentes órgãos e entidades que integram a rede de proteção, promove uma ação de conscientização voltada a adolescentes sobre a prevenção à violência contra a mulher e aos relacionamentos abusivos.
A iniciativa foi construída a partir de uma reunião realizada no dia 9 de julho, que contou com a participação de representantes do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Polícia Civil, Polícia Militar, Conselho Tutelar, Secretaria Municipal de Saúde e Grupo Unidas Por Elas.
Como resultado da articulação, foram definidas três rodas de conversa, realizadas nos períodos da manhã, tarde e noite, com estudantes adolescentes, especialmente na faixa etária de 15 a 18 anos. A programação envolve alunos da Escola de Educação Básica Toneza Cascaes, da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e das instituições particulares Unibave e Meta.
A atividade foi planejada para proporcionar um espaço de diálogo aberto, acolhedor e participativo, no qual os adolescentes possam esclarecer dúvidas, compartilhar percepções e compreender melhor situações relacionadas à violência contra a mulher, aos relacionamentos abusivos e à importância da prevenção.
As rodas de conversa serão conduzidas por representantes de diferentes áreas, permitindo que os estudantes tenham contato com profissionais que atuam diretamente na rede de proteção. Participarão representantes da Polícia Militar, Polícia Civil, OAB, Secretaria Municipal de Saúde, por meio das áreas de psicologia e enfermagem, e do Grupo Unidas Por Elas.
A dinâmica terá início com perguntas previamente elaboradas e direcionadas aos representantes de cada área. Em seguida, o espaço será aberto para que os próprios estudantes possam fazer perguntas, apresentar situações e contribuir com a discussão. Outras perguntas também serão disponibilizadas para estimular a participação do público.
Entre os temas abordados estarão o ciclo da violência, os diferentes tipos de violência, sinais de relacionamentos abusivos, formas de prevenção, direitos das mulheres, atuação da rede de proteção, canais de denúncia, violência sexual, saúde e prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
A proposta é mostrar aos adolescentes que a violência não se manifesta apenas por meio de agressões físicas. Situações de controle, humilhação, ameaças, perseguição, violência psicológica e sexual também precisam ser reconhecidas e enfrentadas.
“Quando falamos em violência contra a mulher e em relacionamentos abusivos, muitas vezes pensamos apenas na agressão física. Mas a violência pode aparecer de diferentes formas e algumas dessas atitudes podem acabar sendo naturalizadas, principalmente nos relacionamentos iniciados ainda na adolescência. Por isso, conversar sobre respeito, liberdade, diálogo, igualdade e consentimento é também uma forma de prevenção”, destaca a organização da ação.
Uma rede que atua em conjunto
A iniciativa reforça a importância do trabalho integrado entre os diferentes setores que compõem a rede de proteção. A proposta é mostrar aos estudantes que uma situação de violência não deve ser enfrentada de forma isolada e que existem serviços e profissionais preparados para orientar, acolher e encaminhar cada situação.
Durante a roda, a Polícia Civil abordará o que acontece quando uma mulher procura a instituição para denunciar uma situação de violência e como identificar quando uma situação aparentemente tratada como uma “briga de casal” pode, na realidade, representar uma situação de violência.
A Polícia Militar também explicará como adolescentes podem agir ao presenciarem uma situação de violência ou identificarem que uma amiga pode estar passando por esse tipo de situação, além de apresentar o funcionamento da Rede Catarina e as possibilidades de atuação policial em ocorrências de violência.
A representação da OAB abordará os direitos das mulheres e as formas de proteção previstas pela legislação, além de esclarecer que a violência pode assumir diferentes formas e não se limita às agressões físicas.
Na área da saúde, a psicóloga Daniela Tezza Caniver falará sobre os impactos emocionais provocados pela violência e sobre sinais que podem servir de alerta durante o atendimento de mulheres em situação de vulnerabilidade.
A enfermeira Sandra Regina Salvador contribuirá com informações relacionadas à saúde, especialmente sobre a importância da busca por atendimento após situações de violência sexual e os cuidados que podem ser oferecidos às vítimas, além do papel dos serviços de saúde diante de relatos ou sinais de violência.
Já o Grupo Unidas Por Elas apresentará a importância dos grupos de apoio e da rede de acolhimento, além de abordar como amigos, familiares e colegas podem contribuir para apoiar uma mulher que esteja vivendo uma situação de violência.
Prevenção começa pelo conhecimento
A atividade também busca trabalhar a prevenção de forma próxima à realidade dos adolescentes. A proposta é estimular a reflexão sobre comportamentos que muitas vezes são confundidos com demonstrações de amor, como ciúmes excessivos, controle sobre amizades, roupas, redes sociais e rotina.
Durante a conversa, será reforçada a importância de construir relações baseadas no respeito, na liberdade, no diálogo e na igualdade, mostrando que ciúme não é prova de amor, controle não é cuidado e que o consentimento é fundamental em qualquer relação.
Outro ponto destacado será a responsabilidade coletiva diante de situações de violência. A mensagem central é de que a vítima nunca é culpada pela violência sofrida e que a responsabilidade pelo ato é sempre de quem pratica a violência.
Também será reforçada a necessidade de evitar julgamentos às mulheres que enfrentam situações de violência, considerando que o rompimento com um relacionamento abusivo pode ser um processo complexo e que o apoio da família, dos amigos e da rede de proteção pode ser fundamental.
Agosto Lilás
A ação integra as iniciativas de conscientização relacionadas ao Agosto Lilás, período dedicado ao enfrentamento da violência contra a mulher. Mais do que concentrar o debate em um único mês, a proposta é estimular uma reflexão permanente sobre prevenção, respeito e construção de relações saudáveis.
A expectativa é que os adolescentes não sejam apenas espectadores da atividade, mas agentes de transformação em seus espaços de convivência, levando as informações para as conversas com amigos, familiares e para os ambientes escolares e digitais.
“Queremos que eles saiam daqui não apenas com informações, mas também com uma reflexão sobre o tipo de relacionamento que queremos construir e sobre a sociedade que queremos ajudar a construir. Prevenir a violência também significa aprender a reconhecer relações baseadas no respeito, na liberdade, no diálogo e na igualdade”, destaca a organização.
Fortalecimento das parcerias
A realização da atividade também evidencia a importância da união entre poder público, instituições de ensino, órgãos de segurança, profissionais da saúde, entidades representativas e organizações da sociedade civil.
A Unibave participa da iniciativa por meio da cedência do espaço para a realização das atividades, enquanto a articulação com as escolas permitirá a participação dos estudantes. A organização também conta com o apoio da Anna Home Decor e da Laide Floricultura na decoração do ambiente.
A condução da roda de conversa ficará sob responsabilidade de Giulia, com participação dos representantes definidos para cada período.
Após a definição da data e da organização da logística, os diretores das instituições de ensino serão comunicados e convidados a participar com seus alunos. A programação também prevê a mobilização das escolas e a divulgação da atividade junto aos estudantes.
A ação representa mais um passo no fortalecimento da rede de proteção de Orleans e na construção de espaços de informação, diálogo e prevenção, aproximando os adolescentes dos serviços e profissionais que podem ajudar diante de situações de violência.
Ao promover esse diálogo, o município reforça que combater a violência contra a mulher é uma responsabilidade de toda a sociedade e que a prevenção começa pelo conhecimento, pelo respeito e pela capacidade de reconhecer que nenhuma forma de violência deve ser normalizada.



























