28 setembro 2020 - 8:53

Focos de incêndio preocupa moradores da Serra Catarinense

Focos de incêndio destroem há quase uma semana encostas na comunidade de Três Barras, em Orleans. O combate ao fogo é inviável tanto por terra quanto por ar de acordo com o Corpo de Bombeiros Militar. Nesta segunda-feira, 10, as chamas se propagam com o aumento do vento na região.

Moradores das comunidades próximas ao Costão da Serra, em Orleans/Santa Catarina,  Observaram os primeiros focos ainda no dia 5 de agosto,  nas encostas da Serra em direção a comunidade de Três Barras.

A área pertence ao Parque Nacional de São Joaquim (PNSJ), e há uma enorme preocupação com as perdas na vegetação, na fauna, que reúne espécies específicas deste tipo de região de cânion, um bioma existente somente nessas condições. E outro fator que pode acarretar grande problema são as nascentes existentes no local. Elas precisam da vegetação para se manter, o fogo consome o recurso hídrico e acaba com essas águas que compõe o complexo da região de Orleans.

O primeiro foco começou na quarta-feira, 05, e fica na borda da Serra Geral, na área conhecida como “coração” (já extinto naturalmente). O segundo mais próximo a Serra do Imaruí, na Trilha dos Tropeiros, teve início na sexta-feira, 07.

O integrante do Movimento Orleans Viva – Guardiões do Costão e ex-biólogo da Fundação Ambiental do município, André Luís Klein, explicou que o monitoramento segue com envolvimento dos moradores, profissionais dos bombeiros e ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Durante o fim de semana estratégias para conter as chamas foram analisadas mas a conclusão é que não é possível executar nenhuma delas, por ser de difícil acesso para combate terrestre, como apontaram profissionais do Corpo de Bombeiros Militar e o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). A Polícia Militar com o helicóptero Águia 4 averiguou a área e também constatou dificuldade da ação aérea pelas condições geográficas, e escassez de recursos hídricos próximos para possibilitar os trabalhos.

O comandante do Corpo de Bombeiros Militar de Laguna e supervisor de área do 8º Batalhão de Bombeiros Militar, da região de Tubarão, 1º tenente Henrique José Schuelter Nunes, explicou que, para esta ocorrência, se faz necessário tanto o combate aéreo quanto o terrestre. “É uma operação bem complexa, bem difícil, operação quase de guerra. Teria que montar uma piscina, algo assim ali perto. Considerando que não há casas próximo ao local e que, por enquanto, não há chance de chegar próximo a residências, vamos continuar monitorando o incêndio. Além disso, se desse para ter certeza de que seria possível combater em dois dias, por exemplo, a gente teria deslocado, mas é como enxugar gelo. O fogo fica transitando em volta da gente e a gente não combate”.

Os moradores da localidade estão preocupados e buscam mobilizar autoridades para uma solução breve. O veterinário, Francisco Bert Bussolo, afirma que a área rural em questão, a qual sua família tem propriedade há 40 anos, a agricultura e pecuária são atividades predominantes. “Mas a questão das nascentes é um problema sério para o abastecimento de outras regiões também. As águas daqui compõem o rio que abastece todo o município de Orleans, ou seja, poderá causar impacto na vida de mais de 23 mil pessoas”, alerta Bussolo.
Fonte: Revista Unica

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