26 setembro 2020 - 6:27

Ferrovia Tereza Cristina e o Túnel de Siderópolis. História e arte que atravessam o tempo

Um dos marcos mais importantes para o sul de Santa Catarina foi a construção da Ferrovia Tereza Cristina.
Se tratando de termos turísticos não poderiamos deixar de citar a construção do ramal da ferrovia que inclui o Túnel de Siderópolis, que foi aprovada por um decreto federal em 31 de outubro de 1942, sendo que esse novo ramal derivou do km 112 no bairro Pinheirinho, em Criciúma, estendendo-se por 12,4 mil metros até chegar a Siderópolis. As obras iniciaram em 1943, tendo sido concluídas três anos depois.
O túnel que tem 388,45 metros de extensão, com a data de 1944 entalhada em seu arco ao que tudo indica teve seu processo de rebocagem nesse ano.

Ele foi construído quando a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) se instalou na cidade, que até então se chamava Nova Belluno distrito de Urussanga, onde moravam, na grande maioria, imigrantes italianos.
Foi a partir da entrada do Brasil na segunda Guerra Mundial, posicionando-se contra a Itália, que a cidade precisou mudar de nome.
Como meio para escoar o carvão mineral extraído o túnel contribuiu não só na questão econômica mas também na imigração e no turismo.
Vale ressaltar que, em toda a estrada de ferro, esse é o único túnel que foi construído.

Em sua maioria os operários eram paulistas, mineiros e gaúchos sem família e sem um lugar fixo para viver que ficaram instalados em acampamentos próximos à obra e eram vistos com desconfiança pelos colonos.
Patrimônio imaterial da cidade são as lendas ouvidas a respeito da construção do túnel. A maioria delas conta sobre mortes e aparições dos que morreram mas de acordo com relatos de operários que trabalhavam na obra os únicos que morreram foram dois trabalhadores em um acidente na construção e um peão, que foi assassinado.
Tambem há boatos de que índios da etnia Xokleng foram assassinados durante a limpeza da mata virgem ao redor do morro.

Atualmente a linha férrea não transporta mais passageiros, mas ainda é responsável pelo escoamento do carvão extraído no município.
Na manutenção dos trilhos são feitos a drenagem da área do túnel que é feita a cada cinco anos pois o local é muito úmido e a presença de água é bem constante.
A estrutura do túnel e a substituição dos trilhos são feitas aproximadamente a cada sete anos.
Os dormentes, por serem de concreto, não são trocados.
Uma verdadeira obra de arte que atravessa os anos e resiste à história.
Siderópolis faz divisa com Treviso, Urussanga, Cocal do Sul, Criciúma, Nova Veneza, e a Oeste com Bom Jardim da Serra.

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