28 setembro 2020 - 8:25

Comunidade de Invernada – Grão-Pará, uma história de fé e luta dos primeiros habitantes.

Assim como toda região, a comunidade de Invernada é provida de uma beleza natural de rios e paisagens que encantam. Sua história assemelha-se a muitas outras comunidades da região, pela presença de imigrantes italianos entre seus fundadores.

Os relatos marcam maio de 1914, como data em que os primeiros imigrantes estabeleceram-se nas terras onde hoje fica a comunidade de Invernada. “Os primeiros imigrantes aqui chegaram trazendo suas bagagens, através de picadas no lombo de cavalos e carros de bois”, conta Vanilde Ascari Alberton, filha de um destes colonizadores.

Os nomes de Manuel Marcolino, João Mattei, João Leopoldino da Silva, Henrique Mattei e Ricardo Ascari, aparecem como fundadores da comunidade Cristã de Invernada. No entanto, é necessário relatar que Índios e três famílias de Russos já habitavam as terras, sendo então os Índios e os Russos os primeiros habitantes das terras onde hoje está situada a comunidade de Invernada.

Com a vinda das famílias imigrantes a estabelecer-se nas terras, que era praticamente toda coberta por mata virgem, em 1915, foram dados os primeiros passos para a fundação e desenvolvimento da comunidade.   Na época, tais moradores não tinham nenhum tipo de recursos, como escola, igreja, e assim foi por longos anos.

Para frequentar igreja deslocavam-se até a comunidade de Barracão – Orleans.  Depois de alguns anos, outras famílias chegaram à comunidade. Foi então construíram um monjolo para descascar arroz, e um pilão para que as mulheres pudessem socar milho e produzir canjica, a qual cozinhava ao leite para se alimentar.

Quando alguém precisava de ajuda médica tinham que vir até Orleans, geralmente as famílias se ajudavam para poder carregar o doente até o socorro. Para seu sustento plantavam milho, arroz, mandioca e feijão.  E criavam porcos.

No final do ano de 1915, as seis primeiras famílias se reuniram para agradecer o ano que estava findando, na ocasião rezaram o terço e conversaram sobre a construção de um local para rezar, uma capela.  Oito anos depois, em 1923, os moradores se reuniram e construíram uma capelinha de madeira. Local onde se reuniam aos domingos para rezar.  O mesmo local era também utilizado como escola.

Na época com a construção da capela surgiu à primeira professora, a Senhora Arvinda. O primeiro capelão (dirigente de culto) João Leopoldino da silva.

No entanto, para fazer a páscoa, realizar cerimônias de casamentos e batizados, precisava deslocar-se até a comunidade de Barracão.

No ano de 1922, Ricardo Ascari deslocou-se até a comunidade de Rio Pinheiros, onde estava instalada a paróquia na época para buscar o sacerdote (padre) de nome Afonso, para fazer a primeira visita a comunidade de Invernada e celebrar a primeira Santa Missa.  O primeiro Bispo a visitar a comunidade foi Dom Joaquim de Oliveira.

Em 1941, no dia 29 de setembro, o Padre Antônio Condrig deu a benção da 1º pedra que marcava o início da construção da 3º capela da comunidade, planta desenhada pelo próprio padre. A construção demorou um ano e seis meses, foram utilizados tijolos amassados por cavalos e transportados por carros de bois.  O pedreiro foi Alfredo Dandolim.

Para ser Padroeiro da igreja, os moradores escolheram São Miguel Arcângelo, cuja festa é realizada em Setembro.

Aproximadamente 10 anos depois, foi construído o capitel de São João Batista, existente até os dias atuais.  Os relatos sobre tal construção são os seguintes: “O material veio puxado a carros de bois para dar início à construção, foi cavado perfurações de cerca de 2 metros no solo onde foi iniciado alicerce, conforme afirmaram na época, para que a construção ficasse bem firme e segura”. O Pedreiro conhecido por Bepi Castanhel. Assim que concluída foi colocado no local uma imagem de São João Batista, em um quadro. Imagem esta que particularmente conheci quando dentro das páginas de uma antiga bíblia na capela da comunidade. Todos os anos a comunidade passou então a realizar no dia 24 junho, a festa em honra a São João Batista, uma tradição da família Mattei. “As festividades eram preparadas com muita alegria pela comunidade, bombinhas, pinhão, broas de polvilho, amendoins e rosca faziam, conforme os relatos, dos pratos preparados para a festa”.

Alguns anos depois em meados de 1970 no dia 23, em um sábado à noite, foi queimada a primeira fogueira de São João, que passou a ser uma tradição na comunidade sendo realizada praticamente todo ano.

Os primeiros Caepes da Comunidade foram

João Leopoldino da Silva, Pedro Amador Berttier, Miguel Mazon Ascari, André Bolssato Orben, José Mazon Ascari, Ricardo Mazon Ascari por 25 anos, Vendolino Ascari, Moisés Peron Ascari, Manoel Ascari e Vilton Ascari.

A primeira professora da comunidade

No ano de 1937 a comunidade de Invernada foi contemplada pelo prefeito com a vinda de uma jovem professora, Maria Nascimento Zavaski, filha de uma família humilde com formação cristã ficou por muitos anos na comunidade, conquistando respeito e muitos amigos. Maria permaneceu na comunidade até sua aposentadoria.

Capelas da comunidade

No ano de 1915 as quatro famílias cristas que residiam na comunidade se reuniram no final do ano para agradecer pelo ano que haviam passado nas terras da comunidade de Invernada, rezando um “terço” oportunidade em que conversaram sobre a construção da primeira capela. A capela foi construída de madeira e barro na subida do morro próxima ao cemitério.   A segunda foi construída mais para cima do lado da estrada. A terceira capela foi construída de tijolos em 1941 e demolida em 12/11/ 1989, no mesmo local onde hoje esta a igreja da comunidade. A quarta capela foi iniciada no dia 20 de novembro de 1989, e no dia 29 de setembro de 1990, foi rezada a 1º Missa na nova igreja construída.

As casas

As primeiras residências construídas na comunidade eram de chão batido e as coberturas de palhas. O fogo era aceso no chão em meio a pedras e as panelas e caldeirões eram pendurados. Assim eram cozidos os alimentos.  Os pães eram assados na brasa. Após muitos anos os habitantes faziam buracos em barrancos onde eram feito fogo e usados como forno. As casas eram construídas em qualquer local, já que tudo erra cercado de mata e pouco se podia observar sobre o relevo do local. O local era escolhido pela proximidade de nascentes e riachos, para assim poder ter acesso mais fácil à água. Por volta de 1930 deu-se inicio a fabrica de tijolos de barro amassado por tração animal e colocados em forma talhadas na madeira, as quais contraíam tijolos e telhas.

A senhora Vanilde Ascari Alberton relata que seu pai construiu a primeira casa de madeiras e cobertas de telhas em 1939, a partir desta dada foi iniciada a construção na comunidade de fogão com pernas de madeira e tábuas nas laterais, e embaixo formando uma caixa que era cheia de terra e com tijolos era feito local onde era acesso o fogo (a boca) em cima era colocado uma chapa. Com a construção deste fogão as famílias conquistaram um pouco mais de comodidade na hora de cozinhar as refeições.

Os imigrantes católicos

A comunidade de Invernada teve como seus primeiros fundadores descendentes de italianos.

Os pais de Ricardo Ascari, filho de Regina Mazon e Casemiro Ascari, um dos fundadores da comunidade. Em relatos sabe-se que o Pai de Regina Mazon (Raimundo) veio para o Brasil com duas filhas, Emilia e Regina, e lá deixou esposa. Ele fugiu por estar sendo ameaçado por haver se casado com uma jovem de uma região diferente da sua, como era tradição na época.

Nos relatos do senhor Antônio Depicolli, antes de 1915 só existia nas terras índios e três famílias de russos, foi só a partir desta data, 1915, que passou a chegar mais famílias na comunidade. As primeiras famílias: Enrique Mattei, Fortunato Orbem, Ricardo Ascari, João Leopoldino da Silva, Manuel Marcolino, Rafael Depicolli, Emilio Orbem e outros.

Os dados contidos neste texto são parte da uma pesquisa feita por Vanilde Ascari Alberton, que os coletou junto aos habitantes da comunidade ao longo de muitos anos.

Por Gerciana Ascari / Imprensa News Sul

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