As transformações tecnológicas estão modificando a maneira como as pessoas trabalham, aprendem e se relacionam. Com a expansão da inteligência artificial (IA), novas funções profissionais surgem, enquanto outras passam por mudanças. Nesse cenário, preparar crianças e jovens para o futuro exige mais do que apresentar ferramentas digitais. É necessário desenvolver a capacidade de interpretar informações, resolver problemas, trabalhar em equipe e adaptar conhecimentos a diferentes situações. No Colégio SATC, essa preparação faz parte das experiências de aprendizagem, que aproximam os estudantes da tecnologia e incentivam o protagonismo desde os primeiros anos escolares.
Por meio da disciplina de Tecnologias Aplicadas, os alunos exploram ferramentas, desenvolvem projetos e transformam ideias em soluções concretas, relacionando o conhecimento teórico à prática. “Mesmo no auge da tecnologia, habilidades como criatividade, comunicação, colaboração, empatia e pensamento crítico continuam sendo diferenciais. O futuro envolverá profissionais que conseguem conectar conhecimento, pessoas, ferramentas e propósitos”, destaca a diretora do Colégio SATC, Izes Machado Beloli.
Tecnologia como ferramenta de aprendizagem
A evolução dos recursos tecnológicos também transforma as competências necessárias para atuar no mercado de trabalho. O coordenador do curso de Inteligência Artificial da UniSATC, Anderson Farias, explica que essa transformação ocorreu em diferentes etapas. No final dos anos 80 e início dos anos 90, a popularização dos computadores pessoais ampliou a automatização de processos nas empresas. Posteriormente, a internet permitiu acessar sistemas de diferentes locais, enquanto as ferramentas de Business Intelligence (BI) facilitaram a análise de dados para apoiar decisões.
A partir de 2023, com a propagação de ferramentas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, a interação entre pessoas e sistemas passou a incorporar novas possibilidades. “Vamos ter uma mudança significativa na forma de comunicação entre o usuário e os sistemas das empresas. A interação não será mais apenas por telas, cliques, botões e formulários. Teremos uma comunicação muito mais natural, semelhante à que já utilizamos com ferramentas de inteligência artificial”, explica Farias.
Essa mudança também amplia as possibilidades de atuação dos profissionais de tecnologia, que deverão desenvolver agentes inteligentes, treinar modelos e criar soluções para diferentes áreas. Nesse contexto, conhecimentos de matemática, estatística, assim como a capacidade de interpretar textos, elaborar enunciados e analisar informações, ganham relevância.
Nesse cenário, a formação escolar tem um papel importante no processo. “Precisamos fortalecer a base matemática, probabilidade, além de desenvolver habilidades de interpretação textual, síntese e análise. São competências que ajudam o estudante a compreender problemas e a utilizar a tecnologia de maneira mais consistente”, afirma o coordenador.
Cultura maker estimula autonomia e criatividade
No Colégio SATC, a preparação para esse cenário ocorre por meio de atividades que colocam o estudante no centro do processo de aprendizagem. Na cultura maker, crianças e jovens exploram recursos, testam possibilidades, identificam dificuldades e aprimoram suas criações. O erro, também faz parte desse percurso, pois permite avaliar resultados e buscar novas soluções.
As experiências desenvolvidas na disciplina de Tecnologias Aplicadas incluem a criação de protótipos com impressão 3D e máquina de corte a laser, transformando projetos artísticos em objetos concretos. “Os nossos alunos também desenvolvem robôs com sensores e sistemas de automação, relacionando conhecimentos tecnológicos à segurança da internet”, ressalta a coordenadora da disciplina de Tecnologias Aplicadas do Colégio SATC, Andréia Scarduelli.
Outra atividade envolve a criação de jogos autorais no Scratch, conectados a circuitos físicos. “Nesse processo, as crianças exploram lógica, arte e design enquanto aprendem a organizar ideias, construir sequências de comandos e observar como suas escolhas produzem resultados. Essas práticas aproximam conceitos de diferentes áreas e incentivam os alunos a assumir uma postura ativa diante dos desafios”, conta Andréia.
Ao planejar e executar um projeto, crianças e jovens precisam tomar decisões, testar hipóteses, colaborar com os colegas e rever estratégias quando os resultados não correspondem ao esperado. “Na cultura maker, aprender é experimentar, investigar, errar, ajustar e tentar novamente. Quando o estudante transforma uma ideia em um projeto concreto, desenvolve autonomia, resiliência e confiança para criar. Essas experiências também ajudam a compreender que o conhecimento pode ser aplicado para resolver problemas reais”, salienta Izes.
Formação que vai além do domínio tecnológico
Embora a inteligência artificial amplie as possibilidades de automatização e análise, a preparação para o futuro não depende apenas do contato com ferramentas digitais. A capacidade de questionar informações, argumentar, comunicar ideias e compreender diferentes perspectivas também contribui para que os estudantes utilizem a tecnologia de forma crítica e responsável.
Na avaliação de Izes, o desenvolvimento dessas competências precisa acompanhar o aprendizado. “A tecnologia oferece ferramentas, mas são as pessoas que precisam compreender os desafios, identificar possibilidades e encontrar caminhos para solucioná-los. Por isso, precisamos proporcionar experiências que estimulem tanto o conhecimento quanto a capacidade de pensar, criar e colaborar”, afirma.




















