25 setembro 2020 - 8:03

Sino que acalma tempestade trazido por imigrante está na comunidade de Rio Belo, em Orleans.

Em Orleans, na capela de São Bom Jesus de Iguape, no Rio Belo, o sino é tocado sempre que um temporal se aproxima. Segundo os moradores mais antigos, o sino fora trazido da Itália pelo patriarca da família Coan, que fundou a comunidade junto com outros imigrantes. Agostinho Coan veio para o Brasil com a sua segunda esposa, Tereza Bristot, e seus filhos do primeiro casamento – Giacomo (que teria trazido o sino), Giovane, João Batista e Clara, que eram filhos de Maria Dall’Antonia. E estabeleceu-se na comunidade de Rio Pinheiros Alto. Segundo o registro do livro (“Genealogia dos Coan”) de autoria de Joceli Coan e Maria Marlene Coan Berger.

O neto de Giácomo, Donilio Coan, relata que seu avo trouxe o sino da Itália, que este ficou guardado há alguns anos, depois foi colocado na primeira capelinha da comunidade. “Ele é bento para afastar trovoadas, e ao tocar o sino, o temporal se espalha. Aqui nos arredores todo mundo tem muita fé no sino”, conta.

E assim é feito sempre que um temporal se aproxima, o sino ecoa cumprindo seu papel e tranquilizando os moradores que mantem tal tradição. Vale ressaltar que os primeiros moradores se fixaram na comunidade no século XIX. No ano de 1910, a primeira capelinha já avia sido construída em terreno doado por Giácomo Coan. Giácomo estabeleceu–se na comunidade do Rio Belo com cerca de 26 anos de idade.

O sino já centenário na comunidade foi cogitado por outra comunidade em um período em que a capela ficou desativada pelo período de 20 anos. No entanto, os moradores da comunidade não permitiram que o mesmo fosse transferido. Como este, diversos outros sinos, belos e históricos, permanecem ‘vivos’, mesmo nas áreas urbanas, onde os campanários dividem espaço com as construções. Ainda tocam por vezes quase invisíveis pelo vai e vem do dia a dia. Todavia, merecem proteção, quer seja por ser patrimônio material – sinos centenários, trazidos pela devoção dos imigrantes.

História da comunidade

As primeiras famílias chegaram em Rio Belo no final do século XIX. Eram imigrantes italianos e portugueses, que inicialmente deram ao local o nome de Rio Macuco. Posteriormente foi alterado para Santa Rosa e, finalmente Rio Belo.

Ainda nos primeiros anos, Giácomo Coan propôs a construção de uma capela e de uma escola em terreno de sua propriedade. A capela construída foi dedicada a São Bom Jesus de Iguape. Os registros demostram que no ano de  1910 a capelinha já existia na comunidade.

Entre os primeiros fundadores da comunidade aparecem os nomes de Giácomo Coan e  Marieta Serafim Coan. Amália Echele, como (professora), Leriano Dias e Pedro Nazário foram capelão, ou seja, dirigente de culto, Jacó Uliano foi o primeiro catequista  da comunidade.

Os relatos contam que na Semana Santa, por exemplo, eram celebradas todas as cerimonias litúrgicas como iguais às realizadas na Matriz.

No dia 21 de março de 1956, foi realizada uma romaria da penitência pedindo em favor da cessação de uma grande peste que assolava a região. A romaria partiu às 5h da manhã da igreja matriz até a capela de Rio Belo. O retorno à cidade também foi feito em procissão.

A partir da década de sessenta (1970), e daí em diante num período de quase 20 anos as celebrações deixaram de ser feitas na capela.

No ano de 1981, no mês de maio, padre Agenor Brighenti, filho da comunidade, foi ordenado sacerdote, e as famílias do Rio Belo despertaram para a necessidade de se organizarem novamente.

Foi então que a capela foi restaurada e construído um salão de festas, cuja inauguração se deu no dia 24 de julho de 1984. A partir de então a comunidade foi se organizando e atendendo às necessidades pastorais.

Ao perceber a necessidade de uma capela maior, foi demolida a antiga capela e no dia 22 de junho de 1998, foi dado início a construção da atual capela. Está foi inaugurada no dia 08 de julho de 2000, ano Jubilar de Jesus Cristo na festa do padroeiro São Bom Jesus de Iguape.

A missa foi presidida pelo Padre Elias Della Giustina, Coordenador Diocesano de Pastoral, concelebrada pelos Padres Lino Brunel e Agenor Brighenti.

Padroeiro: São Bom Jesus de Iguape.

Trata-se de uma devoção popular ao bom Jesus sofredor. O povo simples, quase sempre muito sacrificado, encontra em Jesus sofredor força para também enfrentar o seu sofrimento. O nome que segue ao título Bom Jesus significa o lugar do Brasil onde o Bom Jesus se tornou o centro da devoção. Assim: de Iguape (SP), de Pirapora (SP), de Cuiabá (MT), de Congonhas (MG), etc.

Na capela da comunidade é possível ver um dos últimos trabalhos do escultor Ze Diabo, concluído em 2000.

 

 

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