A colheita começa no campo, mas seus impactos atravessam toda a cadeia produtiva. Nesta quinta-feira, 9 de abril, o município de Sombrio será palco da Abertura Estadual da Colheita da Mandioca Industrial, reunindo produtores, pesquisadores, indústrias e técnicos em um momento que, além de simbólico, retrata uma cultura que sustenta economias locais e conecta tradição e inovação no Sul de Santa Catarina.
Em um Estado onde a mandioca ocupa cerca de 12,5 mil hectares e movimenta mais de R$ 300 milhões por ano, a cultura se mantém como uma das bases da agricultura familiar e da agroindústria. Desse total, aproximadamente 60% da produção é destinada à indústria, com forte concentração no Litoral Sul, especialmente nos municípios de Sangão, Jaguaruna, Araranguá, Sombrio e São João do Sul.
Na região, empresas como a Rocha Alimentos, considerada a maior beneficiadora de mandioca do Estado, atuam diretamente na estruturação do mercado, mantendo uma rede de fornecedores formada, em sua maioria, por agricultores familiares e contribuindo para o escoamento da produção regional. Para o diretor Cloudo Rocha, o momento é de consolidação e responsabilidade compartilhada. “A mandioca tem um papel muito forte na nossa região, tanto econômico quanto social. Quando a gente fala em safra, não está falando apenas de produção, mas de toda uma cadeia que depende disso para se manter ativa”, afirma.
Programação unirá conhecimento técnico e realidade prática do campo
De acordo com o pesquisador do Cepea, Fábio Isaias Felipe, é nesse cenário que o evento se insere, com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva por meio de conhecimento técnico e troca de experiências. “A cadeia da mandioca vem passando por mudanças importantes, e entender isso é fundamental para planejar a próxima safra, que se mostra desafiadora”, antecipa.
Outro ponto central será a análise climática, conduzida pelo pesquisador da Epagri, Márcio Sônego. Em uma cultura altamente sensível a variações de clima e solo, a previsão do tempo se torna um dos fatores decisivos para o desempenho da safra. “Vamos discutir como as condições climáticas impactaram o último ciclo e o que podemos esperar para 2026/2027”, destaca.
Além das discussões técnicas, a abertura da colheita também reforça o papel histórico da mandioca no Sul do Estado, onde a atividade é marcada pela presença de pequenas propriedades e pela transmissão de conhecimento entre gerações. Segundo Cloudo, eventos como este ajudam a fortalecer a cultura, além de alinhar expectativas entre os diferentes agentes do setor. “É uma oportunidade de reunir quem está no campo, quem pesquisa e quem industrializa. Esse diálogo é essencial para que a cadeia evolua de forma organizada e sustentável”, completa.
Fonte: Izi Comunicação























