6 março 2026 - 9:01
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Reitor do Unibave participa de ato de abertura do seminário “Vivas e Decididas – Contra o Feminicídio”, na ALESC

O reitor do Centro Universitário Barriga Verde (Unibave), Guilherme Valente de Souza, representou a Associação Catarinense das Fundações Educacionais (ACAFE), em ato na abertura do seminário “Vivas e Decididas – Contra o Feminicídio”, realizado nesta manhã (05/03) na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC). Guilherme foi um, dos 52 homens, que atravessaram o auditório Antonieta de Barros, com par de sapatos nas mãos, símbolo internacional da ausência das mulheres assassinadas.

Promovido pela Procuradoria da Mulher da Alesc, o seminário reuniu cerca de mil pessoas, entre representantes de diferentes poderes e instituições públicas para discutir responsabilidades e cobrar ações concretas no enfrentamento à violência contra as mulheres.

O reitor lembra que eventos como estes são importantes para chamar atenção da sociedade convidando as para agir. “O problema é uma responsabilidade coletiva, cabe a todos refletir, pensar, agir, denunciar, quando for o caso. Afinal é um problema de todos”, afirma Guilherme.

Violência que começa antes do crime

Reitor do Unibave participa de ato de abertura do seminário “Vivas e Decididas – Contra o Feminicídio”, na ALESC
FOTO: Rodrigo Corrêa/Agência AL

Na abertura do seminário, o presidente da Alesc, deputado Julio Garcia (PSD), destacou que o feminicídio é o desfecho de um ciclo de violência que começa muito antes do assassinato. Segundo ele, os números registrados no estado mostram que o problema não surge de forma repentina.

“Em Santa Catarina tivemos 52 feminicídios no ano passado. Mas há um dado ainda mais alarmante: mais de 30 mil pedidos de medidas protetivas. Isso mostra que o feminicídio não começa no momento do crime. Ele começa com a agressão verbal, com o controle, com a invasão da privacidade. Vai crescendo até chegar à violência extrema”, comentou o presidente.

Uma emergência pública

Os dados apresentados durante o seminário escancaram a dimensão da violência contra as mulheres no estado. Em 2025, Santa Catarina registrou 52 feminicídios, entre eles o assassinato de três crianças. No mesmo período, foram contabilizadas 255 tentativas de feminicídio, o segundo maior número do país. Além disso, mais de 31 mil mulheres solicitaram medidas protetivas contra companheiros ou ex-companheiros.

Para a procuradora da Mulher da Alesc, deputada Luciane Carminatti (PT), e idealizadora do seminário, os números revelam uma realidade que já não pode ser tratada como rotina. “Todos nós conhecemos esses números. Eles estão nos jornais, nas redes sociais, na televisão. Nós lamentamos, nos chocamos, mas a vida continua. E é justamente isso que precisa mudar: nós não podemos naturalizar esses dados”, afirmou.

Segundo ela, o seminário nasce de uma decisão coletiva de não aceitar mais a normalização da violência. “Esse encontro não aconteceu por acaso. Foi uma decisão: nós não aceitamos mais. Cada pessoa precisa se perguntar qual atitude está tomando no seu espaço — no trabalho, na escola, na política, dentro de casa. Combater o feminicídio exige enfrentar a cultura do machismo que ainda estrutura muitas relações na nossa sociedade.”

Luciane também defendeu mudanças concretas nas políticas públicas, desde delegacias abertas quando as mulheres precisam até ações educativas nas escolas. “Não basta discurso. É preciso atitude”, declarou. O seminário reuniu representantes do Executivo Federal, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas, Governo do Estado, universidades, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

Compromisso entre os poderes

Um dos momentos centrais do seminário foi a assinatura de um Termo de Compromisso entre os Poderes pela Vida das Mulheres em Santa Catarina.

O documento estabelece oito compromissos assumidos coletivamente pelas instituições. Entre eles, estão, o reconhecimento da responsabilidade compartilhada entre os poderes, a atuação integrada e coordenada, a prioridade na prevenção da violência e a atenção especial às desigualdades que atingem mulheres pobres, periféricas, negras, com deficiência e de diferentes territórios.

O acordo também prevê a produção e compartilhamento de dados para orientar políticas públicas e o acompanhamento das ações assumidas. Um prazo foi estabelecido: em dez meses, as instituições deverão apresentar resultados concretos sobre os compromissos firmados.

Com edição de Antonio Rozeng, e informações de Simone Sartori, da Agência AL

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