28 setembro 2020 - 11:26

Reconhecida há 13 anos como zona livre de aftosa sem vacinação, Santa Catarina é exemplo para o RS

Com o aval da OIE, região vizinha ingressou em novos mercados e lidera produção de suínos

Único Estado do país reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como área livre de febre aftosa sem vacinação, Santa Catarina se tornou referência em controle sanitário e defesa agropecuária — e tem muito a ensinar aos gaúchos, que caminham na mesma direção. Com o aval da OIE, a região vizinha não só ingressou em novos mercados como se transformou na maior produtora de suínos do Brasil.

Após anos de esforços, na última terça-feira (11), o Rio Grande do Sul recebeu aval do Ministério da Agricultura para buscar a chancela da OIE e seguir o rumo trilhado pelos catarinenses. A conquista também foi estendida a Paraná, Acre, Rondônia e regiões dos Estados do Amazonas e de Mato Grosso.

Em Santa Catarina, que não registra nenhum foco de aftosa desde 1993 e suspendeu a vacinação em 2000, a certificação internacional completou 13 anos no último dia 25 de maio. Alcançar esse status significa cumprir todos os requisitos técnicos exigidos e comprovar a saúde do rebanho, o que abre portas a novos negócios.

Ao longo desse período, Santa Catarina avançou na produção de suínos, se tornou o segundo maior produtor de aves e o quarto maior produtor de leite, com acesso aos mercados mais exigentes e competitivos do mundo. Entre eles, estão China, Hong Kong, Estados Unidos e Coreia do Sul.

Os números falam por si: em 2006, um ano antes da conquista, os catarinenses exportavam 184 mil toneladas de carne suína, faturando US$ 310 milhões ao ano. Em 2019, o volume saltou para 461,6 mil toneladas, com ganhos de US$ 867,5 milhões.

Presidente da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Luciane Surdi acompanhou o processo desde o início. Médica veterinária de carreira, ela atua na Cidasc desde 1986 e elenca os desafios enfrentados.

— O reconhecimento internacional é muito importante, conquistado a duras penas. A tranquilidade que temos hoje só é possível porque adotamos várias outras ações ao longo dos anos. Nossa atividade de campo se intensificou muito desde que decidimos, em 2000, retirar a vacinação. Reforçamos as vistorias em propriedades, investimentos em equipes bem preparadas e o trabalho como um todo se ampliou. Foi necessário aumentar o número de médicos veterinários e trabalhar muito perto dos produtores — relata a especialista.

Outro ponto de grande preocupação foi aprimorar a fiscalização em relação aos vizinhos. Conforme Luciane, o número de barreiras sanitárias praticamente dobrou desde 2000. Hoje, são 63 postos fixos nas divisas com Paraná e Rio Grande do Sul e na fronteira com a Argentina, que controlam a entrada e a saída de animais e produtos agropecuários.

Para que os produtores possam adquirir ovinos, caprinos e suínos criados fora de Santa Catarina, é necessário que os animais passem por quarentena, tanto na origem, quanto no destino, e que façam testes para a febre aftosa (exceto quando destinados a abatedouros sob inspeção para abate imediato). Além desse controle rígido, todos os bovinos e bubalinos são identificados e rastreados.

— Depois do aval da OIE, várias missões internacionais estiveram em Santa Catarina. Eles auditoram todo o nosso sistema de defesa agropecuária, as nossas barreiras e as nossas agroindústrias — diz Luciane.

Os desafios, segundo a presidente da Cidasc, vão, portanto, muito além de obter a chancela nacional. Depois disso, é preciso lutar pela certificação internacional e trabalhar com afinco para manter o status diferenciado. Esses, talvez, sejam os principais ensinamentos para o Rio Grande do Sul e os demais Estados que tentam seguir os passos catarinenses.

O diretor de Defesa Animal no Ministério da Agricultura, Geraldo de Moraes, que coordena o programa de erradicação da febre aftosa, concorda. Segundo ele, Rio Grande do Sul, Paraná, Acre, Rondônia e regiões dos Estados do Amazonas e de Mato Grosso “estão só no começo”.

— Gosto sempre de frisar que ainda não conquistamos nada, mas estamos caminhando para isso. A declaração nacional apenas dá início ao processo. Agora é preciso buscar o reconhecimento internacional, que envolve outra série de ações. Isso passa por um crivo muito crítico — pondera Moraes.

Fonte: GaúchaZH | Com informações da Cidasc

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