15 julho 2024 - 8:00
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Dia Mundial da Água reforça apelo pela redragagem do Rio Tubarão

Entre tantas atividades realizadas pelo Comitê Tubarão, articulações para mitigação das cheias na região têm ganhado cada vez mais espaço

A redragagem do Rio Tubarão deverá trazer mais tranquilidade a toda a população residente na sua região de entorno e que, ano após ano, vem sofrendo com as constantes cheias ocasionadas pelas chuvas. A realização dessa obra é o principal apelo que o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar reforça neste Dia Mundial da Água – celebrado na quarta-feira, 22 de março –, entre tantas outras demandas em prol da gestão dos recursos hídricos na bacia.

Segundo o presidente do Comitê, Woimer José Back, em torno de um terço da capacidade de escoamento do Rio Tubarão está comprometida por conta de materiais sólidos depositados no fundo do rio. Com isso, dependendo do local da bacia em que uma concentração de chuvas em volume elevado é registrada, as cheias acontecem com mais frequência.

“Ou seja, é uma região de risco e sempre vamos conviver com essa ‘nuvem’. Por isso a necessidade de viabilizarmos o mais rápido possível a redragagem e, em paralelo, também já buscarmos outras alternativas que venham a contribuir com a situação, como a criação de canais extravasores para retirar o excesso das águas quando elas vêm de forma concentrada”, elenca.

E este planejamento, conforme o presidente, precisa ser realizado com a contribuição de todos os municípios da bacia, não somente de Tubarão. “Mobilizar e trazer todos para essa frente em busca de melhorias e investimentos precisa ser uma prioridade, pois os benefícios serão conquistados para toda a região. Se a classe política se unir para dar mais peso às articulações, com toda certeza seremos mais fortes na busca por avanços”, completa.

Seminário da Enchente

Neste cenário, um importante debate acontece na próxima sexta-feira, 24, a partir das 8h30min na sede da Amurel. Na oportunidade, a comunidade se reunirá para o XIV Seminário a Enchente de 1974, com objetivo de relembrar a ocorrência trágica – prestes a completar 49 anos – e reforçar a necessidade de mobilização política em prol da solução para o problema histórico.

Consciência coletiva

No entanto, ao mesmo tempo em que sofre com os excessos em períodos de chuva, a Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar também já registra momentos de estiagem, o que ressalta ainda mais a necessidade de ações completas para a preservação dos recursos hídricos existentes.

“Mantermos a qualidade da água sempre é um desafio, pois o ser humano é um contaminador natural. Muitos setores já vêm realizando ações de recuperação ambiental, mas sabemos que ainda podemos melhorar muito o cuidado em todos os segmentos. Temos que quebrar a cultura de que os recursos naturais são abundantes, manter a consciência de que são finitos e entender que, quanto menos poluirmos, mais água em qualidade teremos”, evidencia Back.

Outras demandas

Outras demandas importantes também têm sido percebidas na Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar. Para o vice-presidente do Comitê, Rafael Marques, a principal evolução nas condições ambientais durante os últimos anos está sendo em função da implantação do tratamento de esgoto na área urbana de vários municípios. “Com isso, vejo como desafio a implantação em todas as cidades, assim como alternativas para o tratamento do esgoto nas áreas rurais”, complementa.

Além disso, também de acordo com o vice-presidente, outra das grandes necessidades regionais é o monitoramento das condições atmosféricas, por meio de Estações Meteorológicas, e da situação do nível dos rios, pelas Estações Fluviométricas.

Atuação o ano todo

As atividades do Comitê Tubarão não se resumem apenas ao dia 22 de março. Durante todo o ano, inúmeros projetos e ações são realizados para tornar efetiva a gestão dos recursos hídricos na bacia hidrográfica.

Para se ter uma ideia, de acordo com o secretário executivo do Comitê Tubarão, Patrício Fileti, a entidade realiza, desde 2009, um importante trabalho de recuperação de 62 nascentes da Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar. “Além disso, constantemente promovemos a entrega de mudas de árvores nos mais diversos municípios, principalmente para recuperação das matas ciliares nas margens dos rios”, acrescenta.

Por fim, o comitê também possui diversas Câmaras Técnicas, que são de caráter consultivo e têm por objetivo realizar o assessoramento técnico nas mais diversas áreas: Educação Ambiental e Comunicação; Saneamento Ambiental; Agricultura; Pecuária; Mineração; Nascentes, Lagos, Lagoas, APPs e PCHs.

Suporte no dia a dia

Com objetivo de auxiliar no andamento das atividades diárias, uma equipe vinculada à Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) passou a prestar suporte técnico ao Comitê Tubarão. A instituição teve seu projeto aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), no Programa de Fortalecimento dos Comitês de Bacias Hidrográficas, por meio do Edital de Chamada Pública FAPESC nº 32/2022, tornando-se a nova Entidade Executiva do órgão.

A Bacia Hidrográfica

A Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar é composta por 22 municípios: Anitápolis, Armazém, Braço do Norte, Capivari de Baixo, Grão Pará, Gravatal, Imaruí, Imbituba, Jaguaruna, Laguna, Lauro Muller, Orleans, Pedras Grandes, Pescaria Brava, Rio Fortuna, Sangão, Santa Rosa de Lima, São Bonifácio, São Ludgero, São Martinho, Treze de Maio e Tubarão.

Colaboração: Francine Ferreira – Comitê Tubarão

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