27 setembro 2020 - 6:49

Cidasc inicia classificação do Tabaco da safra 2019/2020 em Santa Catarina

A colheita do tabaco safra 2019/2020 está na fase final, pois poucos produtores ainda estão com produtos na lavoura. A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina – Cidasc, através da Divisão de Classificação, iniciou no mês de fevereiro o acompanhamento da comercialização do tabaco catarinense junto às fumageiras.

O tabaco é uma planta rústica, resistente e não alimentícia, mas muito conhecida e consumida por parcela considerável da população em todo o Mundo. Seu fim mais importante é para a produção de cigarros de papel, o que envolve um processo industrial complexo e de elevado padrão tecnológico. O tabaco movimenta mais de R$ 6 bilhões ao ano, segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

O processo industrial, porém, é apenas uma das etapas do chamado “Complexo Fumageiro” que envolve, além da indústria, o comércio e a produção da matéria-prima. Esta fica por conta de milhares de produtores rurais, integrados à indústria,ou não integrados, normalmente alicerçados no modelo de pequena propriedade familiar rural.

O setor de tabaco ampliou a participação nas exportações brasileiras em 2019,impulsionado por embarques represados do ano anterior. Conforme dados do Ministério da Economia, as vendas externas de tabaco em folha aumentaram quase 20% em volume, na comparação com o ano precedente.

Entre janeiro e abril de 2019, por exemplo, os embarques para a China, que é o principal importador de produtos brasileiros, cresceram mais de 700%. O tabaco chegou a ocupar a nona posição na pauta de exportação com o país asiático no período.

O fumo brasileiro é um produto de qualidade reconhecida mundialmente. De acordo com o técnico agrícola da Cidasc, Thiago Borghezan, a classificação do tabaco segue a instrução normativa n º 10, de 13 de abril de 2007. “A Instrução Normativa nº 10, do Ministério da Agricultura, Pecuária e abastecimento – Mapa, é o instrumento de referência que todos os classificadores utilizam para classificar o tabaco e atestar a qualidade e as características físicas do produto”, destaca Borghezan.

Instrução Normativa nº 10

A Instrução Normativa nº 10 – IN 10 define as características do tabaco conforme a planta, sendo:

Classe: posição da folha no pé;

Subclasse: Cor da folha após a secagem;

Tipo: Conforme a qualidade.

O tabaco separado por classe é comercializado em manocas e fardos. A valorização do produto na compra das fumageiras pode variar de uma empresa para outra dependendo do mercado a ser destinado.

Desde o início de fevereiro de 2020, profissionais da Cidasc habilitados em classificação do tabaco estão atuando no acompanhamento da comercialização do produto, junto as fumageiras, em todo o estado de Santa Catarina. A Companhia possui contrato com a Afubra e auxilia os produtores rurais na divergência da classificação de seus produtos pelas fumageiras.

A classificação dos produtos de origem vegetal facilita os procedimentos de comercialização dentro do país, diretamente, e indiretamente para a exportação. Conhecer profundamente a IN de cada produto vegetal é de fundamental importância. Thiago afirma que a norma do tabaco é bastante complexa e merece atenção no processo classificatório. “O trabalho do profissional da Classificação Vegetal é enunciar as características do produto e indicar a sua qualidade seguindo a IN 10. O profissional da classificação é uma figura bastante conhecida no complexo Fumageiro e têm compromissos extremos com o atesto da qualidade do produto final”, disse o técnico agrícola.

 

Para a gestora da Divisão de Classificação de Origem Vegetal, Valdirene Régia Bisolo Sommer, em algumas regiões do estado o clima não foi muito favorável para a produção de fumo – safra 2019/2020 e está influenciando na qualidade do produto. “Neste ano, temos uma incidência devido ao clima de tabaco Subtipo K, e ao classificar o fumo os técnicos e compradores observam principalmente a uniformidade da composição nos fardos”, afirma Sommer.

As regiões produtoras no estado são: Extremo oeste, planalto norte, alto vale e vale do rio do Itajaí e Sul do estado. Sendo 20 pontos comercializando no estado.

A Cultura do Tabaco no Brasil

O Brasil é o segundo maior produtor de tabaco do mundo, perdendo apenas para a China. Sendo os 3 estados do sul os principais produtores.

Produção

Depois de cultivada, o produtor acompanha o processo de desenvolvimento das plantas até a colheita, que não necessariamente é feita de uma só vez. As folhas podem amadurecer em ritmos distintos, de acordo, por exemplo, com a exposição de cada uma à luz solar.

Após a colheita, as folhas passam pelo processo de cura, que pode ser feito de duas formas. O tabaco Virgínia, mais comum nas lavouras brasileiras, passa de quatro a cinco dias em uma estufa, com temperatura e umidade controladas. Os demais tipos  são mantidos em suspensão por cerca de 40 dias em galpões,expostos a condições naturais, até atingirem o ponto desejado.

A última etapa na propriedade é a classificação das folhas. Elas são divididas e agrupadas de acordo com a semelhança de características, observando a classe,posição da folha no pé. O valor de cada tipo será definido no processo de compra.

Estimativa de produção da safra 2019/2020Com o andamento da atual safra de tabaco, a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) concluiu em novembro de 2019, a estimativa da produção para 2019/2020. Para Santa Catarina estima-se uma redução na área de 93.394 para 88.984 hectares, e 34.570 toneladas de tabaco a menos. “A estimativa de área plantada nos três Estados do Sul do Brasil é de 290.397 hectares e a produção de 646.991 toneladas. Comparada com a produção (664.991 toneladas) e área (297.310 hectares) da safra passada, temos uma redução estimada de área de 2,3% e na produção, uma estimativa de redução de 2,6%”, explico a presidente da Afubra, Benício Albano Werner.

Fonte: Divisão de Classificação.

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