- Anúncio -

Estágio Social do Judiciário de SC abre portas a estudantes de escolas públicas

Bolsa, auxílio-transporte e experiência profissional para jovens em 9 comarcas

Duas estudantes de uma escola de cunho filantrópico de Criciúma, no sul do Estado, vivenciam o primeiro contato com o mundo do trabalho por meio do estágio não obrigatório de ensino médio oferecido pelo Poder Judiciário de Santa Catarina (PJSC). A iniciativa é voltada a adolescentes em situação de vulnerabilidade social e tem como objetivo promover inclusão, aprendizado e desenvolvimento profissional, com direito a remuneração.

O Estágio Social é uma chance de dar os primeiros passos na vida profissional. Voltado a estudantes da rede pública, o programa permite vivenciar, na prática, a rotina de trabalho, ao mesmo tempo em que incentiva a inclusão social e o desenvolvimento pessoal. Os estagiários atuam nas secretarias do foro de comarcas estratégicas do Estado, com direito a bolsa mensal e auxílio-transporte. A iniciativa está disponível na capital e nos municípios de Criciúma, Lages, Joinville, Blumenau, Itajaí, Canoinhas, Chapecó e Joaçaba.

A experiência tem duração inicial de um ano, com possibilidade de prorrogação, e garante aprendizado, responsabilidade e novas perspectivas para o futuro, ao permitir conciliar estudo e trabalho. Em Criciúma, aos 16 anos, duas adolescentes abraçaram a oportunidade. Na secretaria do foro, elas atuam em atividades administrativas relacionadas aos contratos de estagiários. Joana* conta que esperava algo muito complicado na nova rotina, mas afirma que a equipe tornou o processo mais leve. “Está bem tranquilo. Os colegas me ajudam quando tenho alguma dificuldade”, relata.

Em poucos dias, a estudante, que sonha em ser professora, acredita que a oportunidade profissional recebida ainda jovem ampliará sua visão sobre o futuro. “Penso em fazer Pedagogia, mas acho que Direito, pelo que estou aprendendo, também me interessaria”, diz, empolgada.

Oportunidade que parecia irreal

Mariana* estava muito ansiosa antes de iniciar a jornada e confessa que sentia medo. Na primeira semana, tinha vergonha de fazer perguntas, mas decidiu se desafiar. “É um ambiente novo. Se eu não questionar, como vou aprender? As pessoas com quem eu trabalho são excelentes e estão sempre dispostas a ensinar”, conta a adolescente, ao afirmar que já aprendeu muita coisa desde que chegou.

A estagiária diz que tinha uma visão distante do que é o fórum e que nunca havia ido até a unidade ou tido qualquer tipo de contato antes. “Vim principalmente pela oportunidade, pois sei que é um lugar com muitas pessoas estudiosas e inteligentes. É um ambiente em que confio bastante e que proporciona um aprendizado muito profundo, tanto para a vida profissional quanto para a social. Por isso, acredito que minha vinda para cá seja, acima de tudo, pelo aprendizado”, destaca.

Sobre o futuro, Mariana já traça um caminho. Atualmente, pensa em prestar o Enem e cursar Psicologia. “Mas, quem sabe até lá eu não mude? Direito não parece ruim”, pondera, bem-humorada. Seja qual for a escolha profissional, a jovem sabe o que deseja. “Meu grande objetivo, independentemente da faculdade que eu faça, é ajudar e fazer a diferença na vida das pessoas. Essa é a minha principal expectativa”, afirma. Sobre o presente, é categórica: “Estou adorando. Tudo aqui é simplesmente incrível. Me sinto sortuda por ter tido essa oportunidade, porque às vezes parece irreal”.

Aposta na potência de transformação de jovens

A psicóloga escolar e educacional Letícia Ramos Melo explica que a Escola Social Marista atende gratuitamente estudantes do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, majoritariamente do bairro Renascer, em Criciúma. A partir da parceria com o Tribunal de Justiça, foram selecionadas estudantes com bom desempenho escolar e em situação de vulnerabilidade social para vagas de estágio. “Elas têm se mostrado acolhidas e satisfeitas com a experiência, que é vista pela escola como uma estratégia potente de articulação entre educação, cidadania e justiça social, com impactos positivos que vão além da dimensão institucional, alcançando a vida escolar, socioemocional e psíquica desses jovens”, afirma.

Segundo a psicóloga, a experiência contribui para o desenvolvimento de responsabilidades e habilidades ao conciliar as obrigações escolares com as do ambiente de trabalho. “Esse estágio sustenta a ideia de que elas têm um futuro possível, para além das condições do bairro em que vivem”, destaca Letícia Melo.

Além do impacto educacional, a vivência no Tribunal de Justiça aproxima os jovens de espaços institucionais historicamente percebidos como distantes ou inacessíveis. Para a psicóloga, essa inserção permite compreender o funcionamento das leis e do Estado a partir de outra perspectiva. “Elas passam a se sentir pertencentes, reconhecidas simbolicamente, o que fortalece a identidade, a autoestima e amplia horizontes de futuro”, ressalta.

No aspecto socioemocional, Letícia pontua que o convívio em um ambiente estruturado favorece a autonomia, a organização e a capacidade de lidar com regras e frustrações. A parceria, segundo ela, reforça o papel da escola social como mediadora de oportunidades e promotora de equidade. “É uma aposta na potência de transformação desses jovens por meio da oportunidade”, conclui.

Valor social da iniciativa

A chefe de secretaria do foro Luana Soares Souza diz que, embora o processo para firmar o convênio tenha sido burocrático, como é esperado quando se trata de recursos e parcerias públicas, ele foi conduzido com seriedade e boa vontade por todos os envolvidos, o que garantiu que a iniciativa se concretizasse. “Em linhas gerais, parabenizo a iniciativa da Administração na edição da resolução e na oferta das vagas, iniciativa que reflete o compromisso social da instituição”, destacou.

Quanto à experiência na prática, a secretária garante que tem sido enriquecedora. “Com mais de 20 anos de casa, não tem como a gente não se inspirar na garra e no desejo de aprender das adolescentes. As ‘meninas’, como chamo carinhosamente, são muito comprometidas e engajadas; acredito sinceramente que o convívio no ambiente da Secretaria é apenas o início de uma caminhada profissional de muito sucesso”, conclui.

Estudantes ou escolas interessadas em saber mais sobre o Estágio Social nas comarcas onde a iniciativa está disponível podem acessar o site do TJSC ou entrar em contato pelo e-mail dgp.extraquadro@tjsc.jus.br ou pelo telefone (48) 3287-7500.

*Nomes fictícios para preservar a identidade das estudantes.

TJSC – Por Taina Borges / TJSC

- Anúncio -
-Anúncio-
-Anúncio-
-Anúncio-