Rebeca C. esperava duas meninas. A gestação gemelar avançava com acompanhamento médico quando, ainda no segundo trimestre, um exame trouxe um alerta: o diagnóstico de vasa prévia, uma condição rara, mas potencialmente fatal. “Naquele momento, a gente já sabia que era uma gravidez de risco e que precisava de muito cuidado”, lembra.
Com 31 semanas de gestação, ela acordou durante a madrugada e percebeu um sangramento. “Foi um susto enorme. Eu sabia que qualquer sinal podia ser grave, então fui direto para o hospital.”
Após avaliação, Rebeca foi internada e recebeu medicação para inibir o trabalho de parto, na tentativa de prolongar a gestação com segurança. Três dias depois, o medicamento foi suspenso, mas ela voltou a apresentar contrações e o tratamento precisou ser retomado. Horas após uma nova suspensão da medicação, o quadro evoluiu rapidamente e, no dia seguinte, ocorreu a ruptura dos vasos, a complicação mais grave da vasa prévia.
“Fui ao banheiro e vi muito sangue. Na hora, eu soube que tinha alguma coisa muito errada.” Foi nesse momento que ocorreu a ruptura dos vasos, uma das complicações mais graves da vasa prévia. “Era algo que não podia acontecer de jeito nenhum”, diz.
A equipe médica agiu, levando Rebeca para o parto de emergência. Uma das bebês nasceu sem vida. Isabella nasceu com quadro grave, permanecendo em parada durante 28 minutos, sendo reanimada e também levada para UTI Neonatal, onde faleceu no dia seguinte.
“Ela lutou muito para ficar aqui. Mas a ausência da irmã está presente todos os dias.” Mais de um ano depois, a dor permanece. “Não tem um dia que eu não olhe para a minha filha e imagine como seria a vida com as duas. É uma falta que não tem como explicar.”
O que é a vasa prévia
De acordo com a ginecologista e obstetra Dra. Amanda Loretti, a vasa prévia ocorre quando vasos sanguíneos do bebê ficam expostos nas membranas, posicionados sobre a saída do útero.
“Esses vasos não têm a proteção natural do cordão umbilical ou da placenta, o que aumenta o risco de compressão ou ruptura, especialmente durante o trabalho de parto”, explica.
A condição é rara, mas pode estar associada a fatores como gestação gemelar, alterações na placenta e técnicas de reprodução assistida.
Diagnóstico depende de exame específico
Um dos principais desafios é que a condição não apresenta sintomas.
“O diagnóstico é feito por ultrassom transvaginal, geralmente no segundo trimestre, entre 20 e 24 semanas”, afirma a médica.
A partir daí, o acompanhamento precisa ser rigoroso para reduzir riscos.
Acompanhamento e momento do parto
Segundo a especialista, o objetivo do acompanhamento é evitar a ruptura dos vasos antes do nascimento.
Entre as recomendações estão:
- monitoramento frequente da vitalidade fetal
- repouso relativo
- evitar atividades de impacto
Em casos confirmados, o parto deve ser programado.
“A indicação é de cesariana antes do início do trabalho de parto, geralmente entre 34 e 36 semanas”, explica.
Sangramento exige atenção imediata
A médica faz um alerta importante:
“O sangramento vaginal em pacientes com vasa prévia é sempre um sinal de alerta. A gestante deve ser avaliada imediatamente e, havendo suspeita de comprometimento dos vasos, o parto deve ser realizado em caráter de urgência.”
Informação como forma de prevenção
Casos como o de Rebeca mostram como o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são essenciais. Apesar de rara, a vasa prévia pode ter consequências graves quando não identificada ou quando evolui rapidamente.
Para Rebeca, falar sobre o assunto é uma forma de alertar outras mulheres. “Se mais mães souberem que isso existe, elas podem se cuidar mais, perguntar, investigar. Informação pode fazer diferença”, afirma.
Colaboração: Debora Legnani































