25 setembro 2020 - 6:33

Zé Diabo, o Escultor das Obras do Paredão de Orleans

 

José Fernandes, 87 anos, escultor e artista plástico autodidata, conhecido em todo Brasil, como Zé Diabo, e pelas esculturas do paredão, faleceu em 21 de agosto de 2017.

Sempre residiu em Orleans, cidade onde nasceu e constituiu família com Eunice Debiasi, com quem se casou em 10 de julho de 1958. O casal teve três filhos, Fernando, Denise e Joel. Segundo a Declaração de Óbito, as causas da morte do escultor foram Fibrilação Ventricular, Insuficiência Ventricular esquerda e Alzheimer.

Ele faleceu na madrugada de segunda-feira, 21de agosto de 2017, na Fundação Hospitalar Santa Otília de Orleans, onde estava internado. Seu corpo será velado na Capela Mortuária do Cemitério Municipal São José, em Orleans.

A vida e Obra de Zé Diabo José Fernandes, iniciou a vida profissional como cortador de pedras e pedreiro, mas tornou-se conhecido pelas gigantescas obras esculpidas em pedra nativa, que o tornou conhecido como o homem do “Paredão de Orleans”, um local de referência que todos sabem indicar. No entanto, o curioso cognome surgiu no ano de 1957, quando o pedreiro José Fernandes, nascido a 19 de março de 1930, fervoroso católico e autodidata em artes, foi convidado a estampar na fachada de uma igreja no distrito de Invernada / Grão- Pará. Uma passagem do livro do Gênesis, ele no entanto, surpreendendo a todos, inclusive ao pároco da paroquia Santa Otília de Orleans na época, e os fiéis mais conservadores da comunidade, pintou com expressivos traços, um fictício embate entre Miguel e Satanás, representando, em destaque, a luta entre o bem e o mal. Foi com está obra, que existia na capela da comunidade, hoje demolida, que José Fernandes ganhou a alcunha de Zé do Diabo, mais tarde simplificado para Zé Diabo, que hoje o identifica mais que o próprio nome.

Seu grande sonho “O paredão” O talentoso escultor Orleanense, aposentado ocupava seu tempo em dar algumas palestras sobre os trabalhos que executou no paredão, que fica a cerca de 500 metros da igreja matriz. Uma obra, que segundo o autor, não está completa.

No entanto, sua avançada idade já não lhe permiti realizar a realização deste sonho.  Vale ressaltar que sua história artística iniciou quando ele, filho de cortador de pedra, auxiliava seu pai numa pedreira próxima ao rio Tubarão. Desenhista intuitivo, exímio e religioso, olhava para o paredão de arenito à margem esquerda do rio e imaginava esculturas colossais, como as do Egito antigo, que contassem as histórias bíblicas. Com o passar dos anos, Zé passou a ser contratado para pintar paredes e cenas sacras nas igrejas e capelas da região, mas sempre pensando nas esculturas que queria criar. Na década de oitenta, ele recebeu subsídios de industriais da região e pode começar sua obra máxima. Primeiramente, pensava-se que o trabalho do Zé pudesse levar um ano e, para isso, os custos foram calculados, mas demorou oito anos e está incompleta diante do projeto inicial. Esculpida em paredão de pedra maciça jacente na orla da estrada de acesso ao município de Orleans.

O trabalho de Zé Diabo foi iniciado em 6 de junho de 1980, em seu projeto original ocuparia 1,6 mil metros quadrados do bloco rochoso, em cuja face, além de outras cenas das histórias brasileira e universal, reproduziria 300 imagens sacras, distribuídas em 28 painéis. Com mais de 15 anos de trabalhos realizados e 12 horas de serviço ao dia, concluíram-se apenas os painéis que retratam “A criação do Homem”, “O sacrifício de Abraão”, “A passagem do Mar Vermelho”, “O templo do Rei Salomão” e “Os Profetas”. Estão esculpidos 170 metros quadrados. O Escultor conta que até esculpir as obras na pedra fez esboços em cartolina, seguido de minuciosa reprodução em miniatura, em argila e, a partir desse modelo, rabiscava com carvão vegetal, em escala ampliada, a linha de corte no próprio paredão. Do que foi feito, o artista já reproduziu bem mais que 50 mil postais fotográficos, a maioria deles encaminhada ao exterior. Zé Diabo explicou em entrevista, realizado por nossa equipe a alguns anos, que  sua vocação para a pintura dizendo que sempre gostou de artes e teve facilidade de desenhar, embora não tenha ultrapassado o 1º grau nos bancos escolares. Antes de ser pedreiro, foi cortador de pedra, profissão que aprendeu com seu pai.

As muitas obras espalhadas pela região eram resultados, inicialmente, dos trabalhos realizados em períodos de folgas do trabalho braçal, quando era solicitado a pintar painéis, vitrais e interiores das igrejas de paróquias da região sul de Santa Catarina. Dessas, além da já citada de Grão-Pará, Nova Veneza, Santa Clara, Alto Paraná, Barracão e Sombrio.

Um dos últimos trabalhos realizados pelo escultor está na comunidade de Rio Belo, a cerca de cinco quilômetros da cidade de Orleans, na capela São Bom Jesus de Iguape, as obras nessa capela foram datadas no ano 2000.  O painel central com a crucificação, morte e ressurreição de Cristo e o altar da igreja. Para  Zé Diabo, em muitas oportunidade frisou, diante do desinteresse, do desprezo e descaso da sociedade, e pressão de natureza política. O que importava para ele, afirmou em uma palestra para estudantes no município, é saber que estava transmitindo para eles, os estudantes, que ” me sinto gratificado por saber que alguma coisa de útil estou doando para esta mocidade”. Autodidata, Zé registrou em seus escritos: “Tentei escrever na areia, não deu certo, a onda apagou tudo. Tentei na água, ela não aceitou, engoliu todas as vírgulas e pontos de interrogação. Experimentei no papel, mas ele se recusou dizendo que nele só escreviam pessoas letradas, e eu não era. Pensei então em escrever no ar, mas este é invisível, logo não se veriam as letras. Então recorri ao fogo, mas ele foi cruel e queimou tudo. Comecei a ficar desesperado, eu tinha que escrever algum recado para o povo, eu sentia que era preciso. Foi então, que me lembrei da pedra. Deu certo, ela aceitou”.  José Fernandes (Zé Diabo)

Algumas obras do artista  na região. Zé diabo pintou várias igrejas na comunidade de Orleans e na região sul de Santa Catarina;

Pintura na Igreja de Nossa Senhora dos Campos, no KM 107, Lauro Müller.

Pinturas nas capelas de Santa Clara, Furninhas e Oratório, Orleans, SC.

Pinturas na igreja de São Miguel Arcanjo, em Invernada, Grão Pará, SC.

Trabalhos na Capela do Cemitério de Orleans.

Trabalhos na Igreja Matriz de Nova Veneza SC. (1978)

Trabalhos na Igreja do Rio do Rastro, SC.(1979) Pinturas no Hotel São Francisco, em Orleans SC.

Pinturas na Igreja de Nossa Senhora dos Campos, Rio Maior, Urussanga SC.(1989)

Restauração de imagens da via sacra, em gesso na capela do Rio do Rastro SC.( 1991)

 

O escultor José Fernandes faleceu em 21 de agosto de 2017.

Um dos maiores ícones da cultura catarinense, Zé Diabo, o escultor das obras sacras no Paredão de Orleans, faleceu na manhã desta segunda-feira (21), na Cidade das Colinas.

José Fernandes, escultor e pintor autodidata, que ficou conhecido em todo Brasil como Zé Diabo pelas Esculturas do Paredão, residia ainda em Orleans, cidade onde nasceu e constituiu família com Eunice Debiasi, com quem se casou em 10 de julho de 1958 e teve três filhos, Fernando, Denise e Joel.

O artista estava internado na Fundação Hospitalar Santa Otília – FHSO e, segundo a família, faleceu de complicações cardíacas. Nos últimos meses o artista tinha idas frequentes ao hospital.

Por: Gerciana Ascari

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