sábado, 11 julho 2020 - 12:59

Vírus atinge lavouras de fumo do Sul de Santa Catarina e preocupa agricultores

Os agricultores que trabalham nas plantações de fumo de Içara, no Sul catarinense, estão preocupados com o surgimento de um vírus que deve atingir cerca de 35% das lavouras, segundo especialistas. A doença surgiu na batata e chegou ao fumo através do inseto pulgão. Para o ano que vem, a ideia é que a propriedade onde aparece o vírus deixe de plantar batata na próxima safra para evitar a propagação da doença.

O vírus é chamado PVY, sigla em inglês para potato virus Y, ou vírus Y da batata. Ele aparece em plantações do alimento. Quando um inseto pica a batata infectada, depois passa o vírus para a lavoura de fumo.

Uma folha saudável é fácil de identificar: é toda verde. Já a infectada fica amarelada. Com isso, perde o valor de mercado. Um quilo de fumo de uma planta saudável é vendido pelo agricultor a cerca de R$ 10, enquanto um quilo da folha infectada não passa de R$ 3.

“Contra virose em lavoura a gente não tem tratamento. O produtor passa inseticida para combater o vetor, que o pulgão, combater os insetos. Mas contra o vírus não tem muito o que fazer nesta safra”, diz o engenheiro agrônomo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Luiz Fernando Búrigo Coan.

Lavouras de fumo de pelo menos cinco comunidades de Içara foram afetadas pelo vírus que surgiu numa plantação de batatas da região. Mais ou menos 10% das propriedades foram atingidas. Uma delas a do agricultor Cioni José Alves.

“Pegou todo mundo de surpresa. Ninguém sabia disso, ninguém sabia o que estava acontecendo porque as plantas foram apresentando sintomas diferentes do que deveriam estar. Uma planta sadia ficou uma planta toda retorcida, uma planta aniquilada, as folhas não crescem”, disse.

A Epagri está prevendo uma perda de produtividade neste ano de mais ou menos 35%. Mas, para o ano que vem, a expectativa é de que não tenha prejuízos por causa do vírus. Isso porque a Epagri fez um acordo com o dono da plantação onde o vírus surgiu. E ele se comprometeu em não plantar mais batata perto da plantação de fumo.

No último dado divulgado pela Epagri e secretaria municipal de agricultura, dos R$ 60 milhões movimentados na produção agropecuária no município, R$ 39 milhões vinha do fumo. Ou seja, mais da metade do valor bruto.

“O cara trabalha o próximo ano mais aliviado, sem estar pensando que vai perder novamente”, diz o agricultor Cristiano Dutra dos Santos.

 G1 SC

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