19 setembro 2020 - 7:05

Polícia Civil desencadeia a “Operação Tweed” em Apae do sul de Santa Catarina (Veja vídeo)

A Polícia Civil, com apoio do Ministério Público, realizou busca e apreensão e quatro mandados de afastamento temporário das funções de funcionários da Apae de Lauro Müller, na manhã desta terça-feira (10). A Operação Tweed investiga crimes praticados contra alunas da Apae.

Em entrevista coletiva realizada na tarde desta terça-feira, 10, nas dependências da Delegacia de Polícia Civil de Orleans, o delegado de Polícia Civil de Orleans, Ulisses Gabriel, juntamente com o delegado da Delegacia de Polícia Civil de Lauro Müller, Márcio Maciel, e o Delegado da Regional de Polícia Civil de Criciúma, Vitor Bianco Júnior, explanaram sobre a operação Tweed. Na qual foram apreendidos documentos, celulares, computadores e cartelas de Ritalina e resultou no afastamento do presidente da entidade.

O inquérito policial 00131-2019-000020, instaurado na Delegacia de Polícia de Lauro Müller, através de requisição ministerial,  tem por objetivo apurar crimes praticados contra alunas da APAE de Lauro Müller.

Na requisição ministerial constou a existência de “notícia crime” anônima dando conta que o presidente da APAE de Lauro Müller, J. E. M., estaria agindo de forma a embaraçar as investigações, proibindo, inclusive, que os fatos fossem levados ao conhecimento do Ministério Público, bem como estaria perpetrando crimes de peculato na condição de presidente da APAE.

O delegado de polícia de Orleans Ulisses Gabriel, explicou que “diversos depoimentos no âmbito do Ministério Público Estadual dando conta que J. E. M. abastece seu carro particular com dinheiro da APAE, além de fazer uso de telefone celular, também pago com dinheiro da APAE, para uso particular, bem utilizar servidor da APAE para lavar seu carro particular, existindo informações que estaria praticando atos de improbidade administrativa na Presidência da APAE de Lauro Müller, inclusive fazendo compras particulares em mercados da cidade, as quais foram pagas pela APAE, inclusive se obtendo nota fiscal emitida no dia 21 de dezembro de 2018, no valor de R$ 1.219,38, período em que a APAE está sem atividades, bem como chamou a atenção uma nota de 31 de janeiro de 2019, no valor de R$ 6.116,24, quando a APAE também estaria sem atividades normais.

Um crime de injúria racial também foi registrado  durante as investigações.  O Diretor Social da Federação Catarinense das Apae’s, J. C. A., também está sendo investigado. O Delegado Ulisses  afirma  que ele teria orientado o presidente da associação de Lauro Müller a contratar um advogado com o dinheiro da Apae para fazer a defesa e evitar que qualquer pessoa citasse a participação dele nas suspeitas de crimes sexuais. Assim esse advogado acompanhava as testemunhas durante seus depoimentos à Polícia.

O delegado Márcio Maciel resssaltou que notou durante os depoimentos das testemunhas que elas não se sentiam à vontade sendo acompanhadas pelo advogado. O advogado o delegado teria sido contratado com o dinheiro da Apae, mas “o objetivo era que essas pessoas não falassem e causasse embaraço nos trabalhos investigativos”, explica Márcio.

Através do relatório de investigação do SIC da Delegacia de Polícia de Orleans, destacado para investigar o caso através da Delegacia Regional de Criciúma, concluiu que ocorreram as seguintes irregularidades:

a) Abastecimentos irregulares de veículos particulares na conta da APAE no em um posto na cidade de Lauro Müller;

b) Conserto de veículo da APAE em um mecânica da cidade de Orleans com pagamento superior ao valor ofertado no mercado;

c) Tráfico de medicamento controlado Ritalina, perpetrado por R. P. V., moradora de Cocal do Sul/SC, a qual fornece Ritalina para J. E, para ele fornecer para terceiros; d) desvios de alimentação da APAE de Lauro Müller;

d) Fraude ao SUS (Sistema Único de Saúde), com inserções de atendimentos indevidos, dos quais participam J. E. M., presidente da APAE, M. P. B., psicóloga da APAE, S. M. C. da R., Diretora da APAE, e J. C. A., Diretor Social da Federação Catarinense das APAE’s e ex presidente da Federação;

e) Compras indevidas em mercados da cidade de Lauro Müller/SC, salientando-se no relatório que “Conforme observado no Procedimento Ministerial, algumas notas de compras realizadas nos mercados […] dão conta de que são compradas inúmeras caixas de leite para a APAE, conforme fls. 102, 103 e 105. Há ainda, uma nota fiscal do mercado […], do dia 31/01/2018, no valor de R$6.116,24 (Seis mil, cento e dezesseis reais e vinte e quatro centavos), onde há inclusive a compra de um valor alto de leite, constatando-se que em janeiro não há aula na APAE e que a APAE recebe doação de leite;

f) Uso indevido de linha telefônica da APAE, frisando-se no relatório que no decorrer das investigações foi possível verificar que J. E. M. utiliza o telefone celular da APAE como se seu fosse, utilizando-o não apenas para trabalho, mas também com fins particulares, efetuando diversas ligações, as quais serão pagas com o dinheiro público”.

Diante de tudo isso, segundo o Delegado Ulisses, surgiram indícios de possíveis práticas de crimes de:

a) coação do curso do processo; b) peculato; c) injúria racial; d) tráfico de medicação controlada; e) Associação para o tráfico; f) inserção de dados falsos em sistema informatizado da administração pública; e, g) Associação criminosa.

Por tal motivo foram requeridos 7 mandados de busca e apreensão e 4 mandados de afastamento temporário das funções de 4 investigados, dentre eles do presidente da APAE de Lauro Müller, de duas servidoras da entidade e de um diretor da Federações das APAE’s de Santa Catarina, sendo deferidos por enquanto as 7 buscas e apreensão e 2 afastamentos, após manifestação do Ministério Público.

Foram Segundo Ulisses apreendidos  vários documentos, computadores, celulares e também a ritalina, que foi a substância que teria sido repassada para o presidente da Apae. Agora tudo sera análisado de forma técnica. Encontramos também na residência do presidente da Apae muitos canhotos e recibos de pagamentos em postos de combustível e mercado”, salientou Ulisses.

As investigações foram concentradas na Delegacia de Polícia de Orleans e contaram com a atuação e apoio da Promotoria de Lauro Müller, através da Dra. Larissa Zomer Loli,

A  Diretora da APAE, S. M. C. da R., já prestou esclarecimentos e colaborou com os trabalhos de investigação. Na quarta-feira (11), deverá ser ouvido o Diretor Social da Federação das Apaes e o presidente da Apae de Lauro Müller.

O nome da Operação

O delegado Ulisses Gabriel explica o nome da operação. “No século 19, numa cidade do Nordeste, nos Estados Unidos, o prédio do tribunal demorou 20 anos para ser inaugurado. O superfaturamento foi tão grosseiro que um carpinteiro chegou a receber o equivalente a US$ 5 milhões em dinheiro de hoje por 30 dias de serviço. Outro trabalhador, responsável pela argamassa, recebeu atuais US$ 2 milhões por dois dias de serviço. Quando finalmente foi inaugurado, em 1881, o Tribunal do Condado de Nova York, no nordeste dos Estados Unidos, terminou custando o dobro do valor que o país pagou na compra do Alaska. Na época, os desvios foram comandados por William M. Tweed, ou chefe Tweed”,

 

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