28 setembro 2020 - 4:15

O impacto social e econômico do coronavírus no Brasil e o potencial de recuperação

O Brasil tem 1.123 mortes e 22.169 casos confirmados de coronavírus, segundo o Ministério da Saúde em um relatório divulgado neste domingo (12 de abril). Há transmissão comunitária do vírus nas principais cidades do país. A evolução dos casos no Brasil segue a tendência do fracasso europeu e norte-americano.

A pandemia de coronavírus fez com que o governo federal, estados e municípios anunciassem várias medidas para tentar conter a transmissão da doença no Brasil.

O comércio foi fechado, escolas e faculdades suspenderam suas aulas, o transporte público brasileiro redobrou a atenção, as viagens turísticas foram canceladas indefinidamente. Nos serviços de saúde, as férias para os profissionais de saúde foram suspensas, assim como as férias. Em todos os estados brasileiros, houve aumento de leitos de UTI, aumento de unidades básicas de saúde e instalação de hospitais de campanha. Eventos culturais foram cancelados. Visitas à prisão foram proibidas. O isolamento doméstico é recomendado para todos. Os serviços públicos são restritos com eventos coletivos cancelados.

O governo restringiu a entrada de passageiros estrangeiros em voos internacionais, no entanto, isso não se aplica a brasileiros nascidos ou naturalizados ou a imigrantes com autorização de residência. As fronteiras do Brasil com os países vizinhos da América do Sul agora estão fechadas. O Brasil entrou no feriado da Páscoa com isolamento em queda, mortes crescentes e pressões contra a quarentena. Enquanto o país enfrenta a fase inicial da epidemia, o Brasil se prepara para passar dois feriadões em um contexto em que os brasileiros começam a relaxar 0 isolamento e aumentar a circulação nas ruas em todos os estados brasileiros.

O afrouxamento individual ocorre devido à escassez, até agora, de medidas mais duras por parte do governo para reduzir o fluxo de viagens. Isso começa a ser observado no momento em que o país não entrou na fase mais aguda da crise, quando há transmissão descontrolada da doença, mas o sistema de saúde já está sob pressão da pandemia.

O relaxamento das medidas de distanciamento social dividiu governo e especialistas, colocando, de um lado, aqueles que buscam evitar uma recessão econômica, do outro lado, aqueles que priorizam salvar vidas em meio à nova pandemia de coronavírus. As medidas de distanciamento social visam impedir que o sistema de saúde brasileiro fique sobrecarregado e entre em colapso. Estima-se que o Brasil como um todo ainda não tenha superado o pico da pandemia. No Brasil é recomendado distanciamento social, onde todos os grupos da sociedade devem permanecer em suas residências para evitar a aceleração descontrolada da doença. Ainda não há casos de bloqueio no Brasil.

IMPACTO ECONÔMICO

O Índice de Confiança Empresarial do Brasil, que reúne dados da Indústria, Serviços, Comércio e Construção, já é impactado pelo Coronavírus. O Índice de Confiança nos Negócios (ICE) caiu 6,5 pontos em março em relação a fevereiro. É a taxa mais baixa desde setembro de 2017. A pandemia de coronavírus no Brasil impactou significativamente a confiança dos negócios desde março. Levou o ICE à sua maior queda desde a recessão de 2008-09. As expectativas pioraram significativamente em todos os setores, especialmente no comércio e serviços. Enquanto os impactos da pandemia no país persistirem nos próximos meses, o cenário de confiança em declínio deve permanecer. A confiança de todos os setores que compõem o ICE diminuiu desde março. As maiores quedas ocorreram nos setores de Serviços e Comércio, com quedas de 11,6 e 11,7, respectivamente. A confiança na indústria caiu 3,9 pontos e na construção 2.0. Todos os setores foram influenciados por essa queda nas expectativas.

O cenário para os próximos meses é preocupante, com forte impacto econômico e social. Embora seja difícil imaginar uma recuperação da confiança no horizonte visível, esperamos que o sucesso das medidas de isolamento para reduzir a propagação do vírus possa conter pelo menos parte do desânimo que virá com a queda do PIB e o aumento no desemprego.

Diante da pandemia de Covid-19, medidas restritivas para conter a disseminação do coronavírus que estão sendo tomadas no Brasil nos níveis nacional, estadual e municipal estão impactando a economia e a rotina dos brasileiros. Há impactos nos setores público e privado, com restrições operacionais, suspensões, proibições e adiamentos.

Interrupções na atividade econômica e incertezas sobre o futuro causaram abalos no mercado brasileiro. O valor do real em relação ao dólar ultrapassou R$ 5,30 pela primeira vez na história. A principal bolsa de valores brasileira, a Bovespa, perdeu 70.000 pontos, caindo mais de 40% este ano até o momento. Somente em março, as empresas listadas na bolsa perderam R $ 1,1 trilhão (US $ 540 bilhões) em valor de mercado.

As preocupações com os impactos do coronavírus colocaram em baixa as projeções para o crescimento da economia brasileira em 2020. O aumento da incerteza gerada pela queda nos preços do petróleo e o avanço do coronavírus no Brasil contribuíram para o aumento do pessimismo no futuro da economia. Houve perda de confiança dos consumidores em todas as classes de renda, influenciada pelo aumento do pessimismo em relação à situação econômica nos próximos meses.

Nas famílias com menor poder de compra (até R $ 2.100 por mês), a queda foi influenciada pela forte redução nas intenções de compra, cujo indicador caiu 9,9 pontos. Entre as classes de renda, a maior queda vem das famílias com renda familiar mensal entre R $ 2.100 e R $ 4.800, cujo índice de confiança caiu 10,8 pontos. Nesse cenário de economia mais difícil nos próximos meses, os consumidores também preveem uma redução na oferta de empregos e um agravamento da situação financeira das famílias.

Em mais uma medida para conter os impactos do novo coronavírus, o governo anunciou a criação de uma linha de crédito de emergência para pagar os salários dos funcionários de pequenas e médias empresas. O empréstimo é exclusivo para pagar funcionários. O programa financiará salários por dois meses.

O banco Santander prevê que o desemprego no Brasil aumentará no número de 2,5 milhões de pessoas no auge da crise econômica causada pelo coronavírus. O pior momento do mercado de trabalho ocorrerá no final de junho. Com a expectativa de melhora na atividade econômica a partir do terceiro trimestre, o mercado de trabalho, segundo o banco, deve ter alguma resposta positiva, mas o contingente de desempregados ainda terminará este ano com um aumento de 1,5 milhão de trabalhadores. Como resultado, a taxa média de desemprego deve ser de 12,3%, acima da observada em 2019, quando era de 11,9%.

“Vamos sair com a economia ferida por esse processo inevitável para salvar o maior número de vidas”, disse a economista-chefe do banco Santander, Ana Paula Vescovi.

Se o isolamento social tiver que ser expandido para ajudar a conter o número de pessoas infectadas com a doença e só começar a relaxar a partir de meados de junho, o PIB poderá cair 6%. As medidas de estímulo fiscal anunciadas pelo governo para ajudar a mitigar os efeitos da crise e a queda nas receitas causadas pela desaceleração econômica devem levar o Brasil a encerrar o ano com um déficit primário do setor público de R $ 452,5 bilhões (US $ 2,4 trilhões). A dívida do Brasil deve atingir 83,9% do PIB.

A maioria das capitais do Brasil ordenaram que as atividades comerciais cessassem para conter o coronavírus. A quarentena obrigatória permite que apenas determinados serviços funcionem. Mais de 30% das empresas de todos os setores já sentiram os impactos da pandemia de coronavírus em seus negócios, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A instituição incluiu em suas pesquisas para o mês tópicos especiais para pesquisar os efeitos da crise em empresas e consumidores. Até agora, a manufatura industrial tem sido o setor mais afetado, com 43% das empresas relatando impactos do coronavírus em seus negócios em março, seguidos pelo comércio (35%) e serviços (30,2%). Em todos os setores, os efeitos negativos deverão aumentar nos próximos meses: 68,5% da indústria, 59,1% do comércio e 49,7% dos serviços.

Em relação aos impactos nos meses seguintes, 15 dos 19 segmentos pesquisados ​​pela FGV apresentaram percentuais acima de 50% das empresas que projetam efeitos negativos, com destaque para máquinas e materiais elétricos (91,5%), óleo e biocombustíveis (90,5%), limpeza e pefumaria (90,2%) e tecnologia da informação e eletrônica (89,4%).

No comércio, a maioria dos impactos atingiu revendedores de bens duráveis ​​e semi-duráveis ​​em março. Os setores mais afetados foram veículos, motocicletas e peças (46,4%), material de construção (39,9%) e tecidos, calçados e roupas (37,2%). Apenas 18,8% dos hipermercados e supermercados relataram problemas até o momento.

Para os próximos meses, os setores que esperam os piores efeitos são vestuário e calçados (74,7%), veículos automotores (71,6%) e móveis e eletrodomésticos (71,5%). No setor de serviços, o maior impacto até agora foi sentido nos serviços de informação e comunicação (35,9%), seguidos pelos serviços prestados às famílias (35,2%) e serviços de transporte e auxiliares aos transportes e correios (34, 0%). Nos próximos meses, o transporte apresenta a maior expectativa de efeitos negativos (62,9%), seguido pelos serviços prestados às famílias (54,5%).

RECUPERAÇÃO POTENCIAL

Não existe previsão para o fim da crise no Brasil. A economia pode começar a mostrar sinais de melhora no segundo semestre de 2021. O país já está em recessão e é esperado uma recuperação para o início de 2021. A recuperação econômica, no próximo ano, depende do resultado da contenção da pandemia e redução no nível de incerteza.

A solução encontrada por muitos proprietários de pequenas empresas foi focar nas vendas virtuais. Antes da pandemia de coronavírus, as vendas pela Internet já estavam aumentando, principalmente devido à conveniência e custos mais baixos para os inquilinos, mas hoje a preocupação é diferente.

As compras on-line impedem que os clientes se exponham à contaminação do Covid-19. As empresas de entrega, por exemplo, alteraram seus protocolos de entrega para evitar o contato físico com os clientes. A compra de alimentos dessa maneira, além de evitar uma ida ao supermercado, ajuda os restaurantes locais, que de outra forma não teriam como continuar trabalhando.

Muitos supermercados que tinham pedidos de entrega como complemento às vendas, hoje já possuem a maior parte da receita proveniente das vendas digitais. Esse tipo de serviço anda tão procurado que já possui longas filas para entrega. Fora da indústria de alimentos, a demanda por itens de saúde, principalmente álcool em gel e máscaras, também aumentou. Empresas como o Mercado Livre, um dos principais “marketplaces” (plataforma com produtos de terceiros) no Brasil, aumentaram o número de funcionários de logística para agilizar as entregas.

O aumento do tempo online também aumentou com a epidemia. Confinadas em casa, as pessoas estão acessando ainda mais redes e aplicativos sociais, favorecendo o contato com marcas que se posicionam bem no ambiente digital. Por outro lado, as empresas que vendem bens duráveis ​​(itens de tecnologia, por exemplo) enfrentarão dificuldades, mesmo vendendo on-line.

Patricia Varejao é consultora da Dezan Shira & Associates e auxilia empresas brasileiras a entrar no mercado asiático. Entre em contato com ela em patricia.varejao@dezshira.com ou visite a empresa em www.dezshira.com

Por Patricia Varejao, Dezan Shira & Associates

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