1 outubro 2020 - 4:56

Auriverde destaca nascimento de bezerras trigêmeas em propriedade de associado em Santa Catarina

Foto: Fabiane Zanini

Há muitos anos, seu Gilmar e dona a Janine Ohland, moradores da Linha São João, interior do município de São Carlos, extremo oeste catarinense, são associados da Auriverde.

Gilmar e Janine tem dois filhos- Sandra (12) e Lucas (04) e destacam o grande interesse do filho mais novo em dar sequência na propriedade- com a sucessão familiar. Porém, ressaltaram que a vontade é grande, mas pretendem deixar os filhos optarem pelo que desejarem ser profissionalmente.

“Eu carrego isso comigo desde sempre. Sempre fui apaixonada por vacas de leite, sempre gostei de tirar leite, sempre ajudava meus pais a trabalhar com as vacas, então já vem desde criança. Na época, nós tínhamos 12 vacas, era tudo bastante simples e antigo. Após o casamento com o Gilmar, (há 16 anos) observamos que precisava de mais inovações, melhorar mais a estrutura, trocar o trator, fazer o Compost barn, entre outras melhorias. Hoje, estamos com 50 vacas em lactação e nosso objetivo é melhorar a genética dos animais, nosso foco é produzir mais holandesas”, ressalta Janine.

O casal possui como renda principal, a produção de leite. Gilmar relembra que a esposa participou de um curso de inseminação, ofertado na época pela Prefeitura Municipal de São Carlos e relata, que até mesmo o professor ficou surpreso de como ela havia “pegado” o jeito rápido para realizar o trabalho. Disse que logo após o curso, a família adquiriu um botijão de sêmen para iniciarem os trabalhos de genética na propriedade.

Mas até aí os trabalhos seguiam normalmente, até que o casal ouviu falar sobre o trabalho que estava sendo realizado através da Auriverde em parceria da DNA Genética do Brasil- (TAG) e resolveu conversar com o profissional responsável através da Cooperativa, Ivandro Linke. Após, iniciou-se os trabalhos com o acompanhamento técnico do setor leiteiro da Auriverde, o que hoje, a família já trabalha a mais de um ano com o sêmen do qual a Cooperativa Regional Auriverde possui através dos trabalhos realizados dentro do Programa Genoma- do qual, além de cuidar da genética dos animais, desenvolve trabalhos voltados à nutrição, sanidade e afins.

O que ninguém esperava, era que, após uma das inseminações através de um sêmen convencional, uma das vacas parisse trigêmeas, perfeitas e saudáveis – das quais destas, duas idênticas.

O grande dia:

A família relatou durante a entrevista, que por diversas vezes puderam registrar em sua propriedade o nascimento de bezerras gêmeas, mas jamais um fato como esse havia acontecido.

Janine comenta com alegria e emoção o dia do acontecimento. “ O Gilmar foi olhar e voltou dizendo que ainda não tinha nada, que a vaca ainda não tinha dado cria. Aí almoçamos e o Gilmar desceu para dar mais uma olhada e disse quando voltou, que a vaca tinha dado gêmeos. Ai já fiquei feliz, só que depois passou um tempo e ele desceu dar uma olhada na água das outras vacas e dar feno, então aproveitou dar mais uma olhada na vaca, foi quando o Gilmar voltou para dentro de casa e “subiu” dizendo- olha que tu vai ter uma surpresa, aconteceu uma coisa que nunca tinha acontecido em nossa propriedade, nasceu três bezerras de uma vaca só”. Relata Janine.

Foi assim, que no domingo, 07 de julho de 2019, nasceram as bezerras trigêmeas na propriedade Ohland. A alegria foi imensa na propriedade que as bezerrinhas já têm até nome- Bel, Bela e Belinha.

Um caso raro, porém, durante a visita da reportagem da Auriverde, juntamente com o gerente da filial Agropecuária de São João, Shilnei Braatz, a família mencionou que ficaram muito felizes, mas que não faziam “ideia” que esses registros eram tão raros assim para a história na bovinocultura leiteira. E realmente é, seu Gilmar e dona Janine!

Vamos compreender melhor:

Casos de trigêmeas são realmente muito raros de acontecer. O geneticista Celso Barbiero, da empresa DNA Genética do Brasil, nos relatou que nos mamíferos é mais comum a apresentação de gestações com partos gemelares quando de dois indivíduos, por sua vez, acima desse número como trigêmeos e /ou mais, cada vez é mais difícil de acontecer em função de vários pré-requisitos.

Nos mamíferos, estes bovinos da mesma forma com algumas particularidades, diferentes de outras espécies. Partos o qual chamamos de gêmeos poderá acontecer de duas maneiras distintas: O freemartinismo nos bovinos – Que ocorre quando da gestação de gêmeos de sexo oposto, onde então foi gerado dois indivíduos, um macho e uma fêmea. A fêmea na maioria das vezes de tamanho e desenvolvimento maior, apresenta anomalias genéticas tais como:  Características de machos- estrutura musculosa, pouco desenvolvimento do sistema mamário, clitóris avantajado, vagina em tamanho reduzido, ovários pouco desenvolvidos ou ausentes, e hipoplasia dos cornos uterinos.

Desta forma e por estas anomalias serem consideradas graves para o quesito reprodução, estas fêmeas em quase sua totalidade são consideradas inférteis e/ou ausentes da capacidade de reproduzirem. O que deve se considerar que isso tudo ocorre em função do ambiente uterino ser o mesmo, e haver a troca de substâncias entre ambos os fetos, o que cientificamente, chamamos de Anastomoses Vasculares, em outras palavras, é a união da circulação sanguínea de um feto com o outro, e por sua vez, um intercâmbio hormonal.

Nos casos de partos gemelares normais –  São mais simples de explicar, seria os partos de gêmeos do mesmo sexo, não acarretando nenhuma anormalidade para nenhum dos fetos.

Já em partos de indivíduos bovinos trigêmeos, as dificuldades genéticas de fetos que poderão ter todas as funções ativas normais no caso de trigêmeos ou mais, segue a mesma função já proferida acima. Sempre que houver uma gestação quer seja de dois ou mais embriões e com um destes de sexo macho, haverá as anomalias já descritas acima.

Já no caso ocorrido na propriedade da família Ohland, onde todos os embriões são do mesmo sexo e não possuem nenhuma anomalia, tudo indica para que ambos tenham suas funções genéticas a nível de reprodução perfeita.

Barbiero ainda comenta que existem algumas particularidades quanto ao número de indivíduos na gestação. Ou seja, quanto maior o número de indivíduos sendo gerados numa única gestação, maiores serão as dificuldades de nascimentos e por sua vez, as mortes pré-natais, que ocorrem em função do ambiente uterino ser considerado insuficiente a nível de espaço.

“Há poucos estudos científicos nos bovinos quanto a casos específicos de partos gemelares, porém, em observações a campo, nascimentos de trigêmeos os quais com desenvolvimento normal e de tamanhos semelhantes, poderemos identificar numa linguagem mais coloquial que são raros os casos desta ocorrência. Neste caso específico, ocorrido na propriedade da família Ohland, há ainda uma observação importante-  onde dois dos indivíduos são gêmeos idênticos, ou seja, partiram de uma subdivisão embrionária. Porém, sendo de DNA idênticos ou ainda podemos dizer que, estes foram fecundados com o mesmo óvulo e mesmo espermatozoide onde a separação ocorreu posteriormente. O terceiro indivíduo com características fenotípicas diferentes, foi gerado de um novo espermatozoide e por sua vez, novo óvulo também. Vale lembrar que esta vaca possuía dois óvulos férteis neste cio pronto para a fecundação, o que também é considerado um caso menos comum nos períodos férteis de uma vaca. Claro que é passível de aqui dizer, que este animal não sofreu nenhum processo clínico de superovulação, sendo considerado neste caso como ovulação voluntária do animal”. Enfatizou Barbiero.

Estudos científicos sobre ovulações e gestações múltiplas

Estudos recentes têm relatado um aumento significativo nas taxas de dupla ovulação e gestações gemelares nas últimas décadas. Este aumento tem acompanhado a crescente produção de leite e tem se apresentado na maioria dos casos em vacas de altas produções.

Em décadas passadas as taxas se apresentavam numa variação de 5 e 13% para ovulação dupla e de 1 a 5% em gestações gemelares. Em estudos recentes num experimento conduzido pela Universidade de Wisconsin E.U.A, foram detectadas taxas de 18 a 25 % em dupla ovulação e taxas de gestações gemelares na ordem de 5 a 15 %.

O geneticista salienta que é importante considerar estes índices, os quais são altos no processo de gestações gemelares, onde também é possível estimar a influência do direcionamento genético e nos programas de melhoramento animal, para um aumento nas características de interesse econômico.

O coordenador do Programa Genética através da Auriverde, Ivandro Linke e o gestor do setor leiteiro da Auriverde, Diogo José Cembranel, destacaram que estão em fase de construção de um trabalho sobre este caso, do qual inicialmente será realizada a genotipagem dos quatro animais (três bezerras e a mãe), para posteriormente acompanhar o desenvolvimento, até a produção destas bezerras. Destacaram que é um caso realmente que trouxe uma grande felicidade para o setor e profissionais como um todo da cooperativa.

Braatz também aproveitou para agradecer a família pela confiança no trabalho da Auriverde em todos esses anos, e compartilhou a alegria da novidade e importante fato ocorrido na propriedade.

O presidente da Auriverde, Claudio Post, ressaltou sua alegria com esse nascimento tão raro de bezerras trigêmeas, ainda mais sabendo que nasceram saudáveis e podem vir a se tornar futuras vacas leiteiras. Mencionou também a importância do Projeto Genoma e o quanto é importante para a Cooperativa receber notícias desta envergadura, reforçando sempre o compromisso com os associados em uma assistência técnica qualificada, além dos inúmeros programas e projetos que auxiliam aos produtores em geral a fortalecer cada dia mais a agricultura e o agronegócio como um todo.

Por Fabiane Zanini – Assessoria de Imprensa Auriverde

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