27 janeiro 2022 - 12:05

Asfixia mecânica causou morte de professor em Orleans; inquérito aponta legítima defesa de policiais

Inquérito aponta legítima defesa de policiais

A Polícia Civil concluiu o inquérito que apurou a morte do professor de Educação Física, Alisson Luiz Alves, de 41 anos, durante uma abordagem policial no Centro de Orleans, ocorrida no dia 27 de outubro deste ano.

O delegado Túlio Falcão, responsável pelo caso, frisou que a laudo do Instituto Geral de Perícias (IGP) apontou asfixia mecânica como a causa do óbito.

O homem teria sido abordado pelo delegado Fernando Guzzi e outros dois policiais civis em decorrência da investigação de um possível crime assédio contra uma criança. “Ele reagiu a abordagem e enquanto estava sendo algemado acabou morrendo. A manobra feita para ele ser algemado é uma técnica de imobilização, é uma gravata lateralizada. Com a reação do abordado em não obedecer e ao mesmo tempo fazer força, esta manobra faz a compressão, fazendo com que a pessoa perca a consciência e, com o tempo, acabe apagando. Foi o que aconteceu”, disse Falcão.

Após o recebimento do laudo do IGP, o delegado finalizou o inquérito sem indiciar o delegado e os policiais. “Eles não respondem por nenhum crime, pois estava incidindo a legítima defesa, excluindo a ilicitude da conduta. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que vai analisar se realmente não houve crime, como apontou a investigação, ou se foi homicídio culposo ou doloso”, explicou Falcão. O socorro chegou a ser acionado para a tentativa de reanimação do professor, mas sem sucesso. O delegado e um dos policiais também ficaram feridos na ação.

Família contesta investigação

O advogado de defesa da família da vítima, Alan Jung, afirma que o professor não cometeu aliciamento de criança e analisou a abordagem policial como excessiva. Ele relata ainda que não havia situação de flagrante, já que a denúncia sobre o suposto crime cometido por Alves havia sido feita há uma semana antes de sua morte.

“O Alisson estava desarmado e não agrediu em nenhum momento os policiais na tentativa de algemá-lo. Foi por conta força para conduzir Alisson para a Delegacia de Polícia que os policiais se lesionaram. Conforme o laudo apontou, houve o estrangulamento, o que ocasionou a asfixia mecânica do Alisson e acarretando a morte. A defesa já se manifestou no processo para atuar como assistente de acusação para que os policiais sejam indiciados pelo crime de homicídio”, apontou o advogado.

Ainda sobre a acusação de crime de aliciamento contra uma criança contra o professor, Jung disse que não há provas do fato. “A pessoa que fez a denúncia nem estava no local que a situação teria ocorrido. E o histórico do Alisson mostra que ele nunca teve um problema desta natureza. Ele era um professor aposentado, portador de deficiência mental (esquizofrenia), não reagiu a abordagem e a denúncia do aliciamento é infundada. Além disso, era ele contra três policiais, em praça pública. Havia outras maneiras dele ser conduzido, sem que houvesse excesso e que evitasse a morte”, completa o advogado.
Fonte: Engeplus

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